Saturday, 13 March 2010

Ingurisu

O inglês falado no Japão é lendário. Aqui está mais um exemplo ~ interpretações são bem vindas!

Namba

Três visões na zona de Namba. O local continua cheio de gente, com personagens estranhas, interacções sociais bizarras e penteados que em tudo se tentam afastar do típico japonês ~

Satanic Japan

Esta é das lojas mais awesome que já vi até hoje e assim o é essencialmente por não ser uma loja: é mais um espaço onde se podem vender determinados items. É, admitidamente, uma loja satânica e toda a sua imagética o indica: candelabros e correntes a pender do tecto, teias de aranha por cima dos moveis, bonecos com o toque certo de creepy e desconfortavel, mãos mortas com anéis antigos por cima da mesa, uma música muitíssimo desconfortável que em tudo fazia lembrar esgotos ou castelos ou os esgotos de castelos. Nesse espaço também se vendiam coisas - e aqui se vê como o Japão vê algo tão ocidental como o satanismo - estão a ver aquelas cruzes, pentagramas e símbolos diversos estranhas com motivos que vão desde os olhos de gato egípcios até às cruzes duplas invertidas? Estavam aqui à venda como se fossem antiguidades de culto, únicas e místicas, com poderes que só os mais negros feiticeiros e bruxas conseguiriam extrair, causando a destruição do mundo. Obviamente que tais objectos tem de ser caros e eram mesmo ~ algumas das cosias que eu podia jurar que se compram pelo preço, já assim absurdo, de dez euros num qualquer festival em Portugal, estavam aqui à venda por setenta, oitenta e mais ~
É engraçado ver como a cultura se move de um lado para o outro e como as coisas são modificadas para ficarem confortáveis nas mentes de quem as "sabe", mesmo que isso implique uma totalmente desapropriação do seu significado original. E agora, o que é mesmo interessante é pensar que, se nós, ocidentais encontramos pérolas destas no Japão, que pérolas não encontraram os Japoneses por cá? ;)

BL

Esta foto ilustra um dos fenómenos de maior crescimento no Japão. Toda a gente sabe que os Japoneses devoram manga e que muita dessa manga tem um teor sexual. Para os rapazes e homens e normal a coisa funcionar se houverem duas raparigas e é exactamente para isso que a industria de manga se tem virado nos últimos tempos ... para as meninas.
BL, abreviatura de boys love, é um estilo de manga que coloca dois personagens masculinos numa relação perfeita para as mentes femininas: muito amor, muita perfeição, muita beleza, muitas mãos dadas, muitos olhares à lá Richard Gear, muitos pores do sol, muitas conversas depois da coisa que, quando aquece, também aquece à maneira feminina. Este corredor, como se vê no canto superior esquerdo, é a secção de BL de uma loja de manga relativamente pequenas mas com alguma fama. Toda a infinidade de livros que se vêem têm, em algum ponto, explicito ou implícito, algum a sodomizar outro...
Outra coisa interessante a notar era a quantidade de meninas e mulheres que deambulavam por esta secção: magotes! A única parte da loja em que a presença feminina existia, parecendo-se eclipsar em todas as outras secções ~ talvez não seja estranho, mas é engraçado de constatar XD

Friday, 12 March 2010

Entupido

É como está o meu nariz ~ acho que foi da viagem ou da mudança de clima ou da humidade. Não há-de ser nada, há ali um montam de medicamentos: acho vou tentar um ou dois que tenham nomes fixes!

Omizutori (part I)

Foi o tempo de chegar ao Japão, ir para Tenri, comer qualquer coisa, avisar quem quer que seja, dormir uma horita ou assim e, ignorando o quarto que já viu muito melhores dias, ir a caminho de Nara para o festival que me fez voltar tão cedo: o Omizutori.
Esse ocorre uma vez por ano por esta altura no Nigatsudo, um subtemplo do complexo de que faz parte o Todai-ji que tem um Buda de quinze metros. Como esperado Nara estava a abarrotar, mesmo caminhado por trilhos secundários (perdidos!) e o local do dito festival estava impossível: hoje é o dia onde há mais tochas. Ou seja, este festival, que afugenta os espíritos maus do inverno, dá sorte e dá as boas vindas à primavera é, essencialmente, um espalhar de cinzas das varandas altas do dito Nigatsudo. Essas, vêem de tochas que são apresentadas, caminhadas, abanadas e, por fim, desfeitas, à vista dos deslumbrados espectadores que, estando em baixo, recebem as cinzas e toda a sorte que elas transmitem. Hoje é o dia em que há mais tochas, em que as tochas são maiores e em que há mais gente e eu ... confesso que fiquei desiludido...
Porquê? Porque as tochas vieram uma a uma, diminuindo em muito o espectáculo visual esperado. A primeira foto é de uma cartaz de apresentação do festival e, raios os parta!, é tirada com a durante uns bons minutos para dar esse efeito. Alem disso, a táctica de por o pessoal a circular: de modo ao máximo número de pessoas puder ver o dito foi posta em prática o que quer dizer que a azafama tirava muito do espiritualismo da cena.
De qualquer modo, graças à companhia e ao facto de se verem japoneses totalmente malucos com o espectáculos e ao parque de Nara ao crepúsculo e à noite ~ valeu a pena! :)

Sabia que ...

... no Japão não se pode comer e andar ao mesmo tempo? A falta de habito levou a melhor e, depois de sair da estações, comprei um onigiri e fui comendo-o enquanto caminhava para casa ~ grande erro! Os transeuntes, em particular aquelas velhinhas que andam muito curvadas, lançavam-me aqueles olhares de "que nojo", "já não há maneiras" e "vê-se mesmo que não há educação no mundo". Por aqui tem de se parar, comer e depois, muito rápido se for necessário, recomeçar a marcha :)

Back to it

Depois de, se contarmos com o ajuste temporal, umas quase trinta horas de viagem chego ao Japão de novo. Durante o voo reencontrei Japoneses que, ironia das ironias, conheci em Portugal. Kaeritakunai, não quero regressar, era o que me diziam ~ Portugal é mesmo um óptimo pais para passar uns tempos de férias, e Coimbra nem se fala :D
Despedidas feitas e rumo, mais uma vez, e desta vez pelo meu passo ajudado pelos comboio que nunca se atrasam, para Tenri. Olhando em volta, há os homens e mulheres vestidos de fatinho - na foto um dos melhores exemplos que já vi de uma Office Lady - para ir ou a voltar do trabalho, as roupas informais estranhas, os olhos como fendas e não janelas para a alma, os familiares (namba, saidaiji, hirahata) nomes das estações em kanji e romanji ~ sim, é mesmo, estou de volta ao Japão.

Wednesday, 24 February 2010

Fauna nas estações

[30/10/2009-11:11]

















Algumas imagens da população volátil e sempre em movimento das estações e comboios da zona de Osaka por onde me aventurei hoje. Note-se na menina de cima a saia minúscula e os sapatos mal calçados de modo a serem mais fáceis de tirar ao entrar em edifícios em que tal seja necessário. Note-se o menino de cima cujo eyepatch é igual aos tantas vezes aparecem em animes e afins. Note-se, em baixo, um olhar privilegiado sobre a mente pervert japonesa; a estação vazia combatendo um comboio cheio; e a confraternização rara entre os heróicos funcionários, vestidos a rigor, de estações e comboios que tornam tudo possível.

Estranhezas IV

Os comboios daqui são menos usados, feitos para levar mais gente de uma vez e muito mais raros nas chegadas e partidas. Não se parecem em nada com um metro de superfície e não tem uma paragem em praticamente todas as cidades, vilas e aldeias em que podem ou devem parar. Não é precisso picar o bilhete quando se entra e sai da estação, mas há um revisor que, a meio da viagem nos pede e verifica o pequeno papel. Esse pode - wow! - ser comprado em caixas de multibanco normais e não nas máquinas automáticas que esperam clientes em todas as estações. Aqui também há três tipos de comboios base mas são os melhores (alfa e intercidades) que são parecidos entre si e não os piores (local e expresso). Além disso não há shinkansen em lado nenhum e as maiores estações não são gigantescos centros comerciais subterrâneos. Finalmente, aqui os comboios não são uma espécie de orgulho e força motriz nacional ~ e ainda bem.

Estranhezas III

Quando se chega a casa deve-se tirar os sapatos. E se antes ainda havia uma certa não familiaridade com isso, agora é das coisas mais automáticas. O problema é que aqui não há tatamis, os tapetes feitos de algo que se parece com palha e que fazem com que os pés não fiquem totalmente enregelados como quando andam pelo lisíssimo chão de pedra que cobre as casas de Portugal. -_-"

Pitas em Nara

[29/10/2009-22:01]

Como nem só de comida japonesa pode viver o homem, hoje foi-se a um restaurante de pitas, aquelas coisas longínquas e estranhas que consistem num pão de forma estranha recheado com carne e alface e molhos e coisas. Não fossem os japoneses picuinhas com a comida, foi a melhor pita que já alguma vez comi, embora também tenha sido a mais cara. O cherry on top foi quando começou a passar uma música dos nossos Madredeus. Suponho que para japoneses, qualquer música de línguas estranhas com um toque ambiental dê para por num restaurante estranho e mais ou menos exótico. Seja como for, foi uma agradável surpresa.

Tuesday, 23 February 2010

Numa Loja em Nara

[29/10/2009-22:00]

Aliás, numa minúscula loja de videojogos num centro comercial meio recôndito e obscuro na cidade de Nara. Aparentemente no Japão o FFVII é quase duas vezes mais caro do que o FFVIII. Alguém sabe se a PS que se compra por cá é compatível com estes? :o

Lição VI - Evangelion

[19/10/2009-18:52]

Hoje na aula de anime falou-se em transformações. De power rangers até a armaduras especiais, do Akira até ao Evangelion. Que heresia! Do evangelion nada de nada de nada foi dito que estivesse totalmente correcto e o resto da aula não trouxe nada de novo. Desde quando é que a absorção do Shinji pelo Eva é uma "transformação" e metáfora do crescimento da personagem? Talvez eu seja demasiado picuinhas quando se fala do melhor anime do mundo, mas assim não dá! -_-"

Tenri: 34°36′N 135°50′E


Tal como eu antes da viagem, agora apercebo-me que há uma multitude inacreditavel de pessoas que não faz a mínima ideia onde é Tenri, a terrinha em que habito no Japão. No mapa de cima vê-se bem as distâncias relativas. De Tenri a Osaka ou kyoto é aproximadamente uma hora, o que dá quatro ou cinco euros na viagem de comboio. Ir a Tokyo demora uma noite no pior e mais pequenos dos autocarros e Hiroshima, pela distância, será o mesmo. No mapa não aparece, mas muito mais para cima é Hokkaido onde só se vai em tempo útil de avião. Seja como for, é uma localização fantastica: fica pertíssimo de um dos grandes centros urbanos (Osaka) e do local onde o Japão é mais japonês (Kyoto) ~ feel free to visit one of these days ^_^

Fumiko's Confession

[10/11/2009-23:55]



Anime independente, feito por uma só pessoa ~ aiai

Chisato stared

[03/11/2009-14:55]



Esta é uma das melhores animações que já vi. Saiu da mente de um aluno do terceiro ano de uma Universidade dedicada a anime e manga em Tokyo. Só pelo Japão é que isto é possível ...

Ore wa Jakku Baua

[31/01/2010-20:32]

Os japoneses são doidos e isto é uma excelente prova desse facto.

One Piece: Strong World

[12/12/2009-23:55]

A história de comprar os bilhetes, ir para o filme, horários, peripécias e outras coisas que se passaram ficará para outra altura (já a fiz? ~ hmm). Por agora falemos no que é o décimo filme do One Piece e o primeiro dirigido pelo mestre que criou todas as coisas nesta manga: o Oda. O filme é a típica história shounen em que a integridade das personagens já conhecidas é respeitada, com a plot nem medíocre, nem over the top, e com um vilão fantástico que depois é derrotado de forma injusta e idiota só porque tem de ser. A animação é brutalíssima e as referências ao universo visual criado nas mangas, seja nos posters, seja na página inicial, são mais do que muitas. Para quem gosta de One Piece é obrigatório, para quem gosta de animais estranhos - tigres azuis de seis patas e polvos gigantes fora da água - a lutarem num free-for-all selvagem também. De resto é normal enternainment XD

Noroi

[11/12/2009-16:00]

Vi este filme à mais ou menos uma semana e não o recomendo a ninguém. A não ser que gostem de ficar assustador com o pensamento de subir as escadas ou olhar para o céu e ver uma pomba. Em particular não vejam este filme se estiveram no Japão: a quantidade de referencias visuais que são iguais ao sítio onde moram é horrível e não ajuda à tranquilidade mental e à imaginação demasiado volátil. O filme é, essencialmente, um filme dentro de um filme que é feito como um documentário e a sua maior vantagem é o quão real, plausível e verdadeiro parece. É como ir fazendo um puzzle e muito lentamente nos apercebermos que a imagem final é um destino terrível a que não podemos escapar. Se gostarem de horror, é obrigatório, se não, nem lhe toquem.

Tonari no Totoro

[10/01/2010-18:35]

Depois da visita, no ano passado, ao museu da Ghibli, finalmente vi o que é dos, se não o, anime mais famoso por aqui: Tonari no Totoro. Independentemente e se gostar ou não de anime, os Japoneses parecem ver o Totoro como algo à parte e, por isso, ele é adorado por praticamente toda a gente. Razão? Muito à maneira japonesa me disseram que ele é “ooki de kawaii” (grande e fofinho); e que mais é que é preciso para se gostar de um filme se não uma personagem assim?
Muito se fala sobre a sua atracção para crianças e adultos portanto vou passar a parte técnica dos maravilhosos e tantas vezes mágicos desenhos, vou passar as personagens tão cheias de humanidade e vida e vou directamente para algo que, agora que aqui estou, me atingiu com muito mais força do que eu pensei ser possível. O filme é japonês! Totalmente japonês o mais japonês que podia ser. Só agora noto que ele tem muito mais coisas do Japão do que me seria possível entender antes. O tirar os sapatos antes de entrar em casa; a vénia dada pela rapariga à velhota que os ajuda; a estrada ladeada por campos de arroz até perder a vista; o estudo de kanjis na escola; um torii e uma árvores gigantesca com uma corda com papel cerimonial à sua volta onde, de acordo com a tradição japonesa, moram os deuses e onde a família vai prestar os seus agradecimentos; e, por fim, a total falta de violência, ódio, revolta e maldade que não estou a ver em praticamente nenhum outro tipo de filme no mundo. Afinal, qualquer filme em que apareça um gato que é um autocarro tem de ser bom não é?

Kamikaze

[10/11/2009-18:17]

Estávamos algures entre mil duzentos e setenta e quatro e mil duzentos e oitenta e um, quando uma serie de tufões que impediram a invasão do Japão pela Mongólia. Esses ventos tiveram o nome de Ventos de Deus, em Japonês Kamikaze (神風). Alguns séculos para a frente e esse é o nome usado por pilotos suicidas que despedaçaram, pelo menos no inicio, as forças americanas com ataques raramente vistos na história da guerra. A motivação desses, muitas vezes jovens, pilotos para dar a vida pelo país foi meticulosamente construída pela educação baseada na protecção do estado, na religião promovendo o Japão como uma especial e única teocracia baseada no imperador, e nas crenças antigas que a morte trás uma transformação divina num kami (deus) e que, ao morrer de tão honrosa maneira, a sua importância seria aumentada. Isto tudo sem esquecer a tradição dos samurais em que a honra e a morte se encontravam intimamente ligadas. Cada país tem as suas pancas e esta foi claramente das maiores pancas que houve num país que, já à partida, tem muitas. É muitíssimo interessante ver como é que o Japão era no antes e no depois da segunda guerra mundial, juntamente com as causas e consequências do que se passou. ~ aiai ~ história e cenas né ~

Monday, 22 February 2010

Inglês

[03/11/2009-09:15]


É por causa destas coisas que eles me contactaram para dar aulas em Nara ~ mas dam! ~ é difícil ensinar inglês aos putos de 13 anitos O.o

Estranhezas II

Hoje disseram-me para ir pôr o lixo lá fora. Não se teve de olhar para um calendário, de ver se era o dia correcto, nem verificar se havia ou não recolha. Além do mais, no fundo da rua havia um contentor onde toda a gente podia pôr o lixo a qualquer hora, visto este ser recolhido todas as noites. Do mesmo modo, a embalagem de iogurte liquido foi posta num saco onde se encontravam mais embalagens de iogurte liquido, saco esse que poderá ser posto a qualquer altura no local designado para o efeito ~ coisa prática não é?

Kanji (八)  早

[29/10/2009-23:31]

O significado desde kanji é difícil de saber e fácil de inventar. Ele significa rápido (), mas só pode ser usado quando o rápido tem haver com tempo e não velocidade. Eu pensava que o kanji era um sol () a erguer-se de manhã, algo que, é sempre mais rápido do que parece. Afinal, a representação antiga do kanji era uma espécie de nós a ser fervida para obter uma tinta escura. O tempo fez com que esse escuro simboliza-se a noite antes da alvorada, depois, a manhã cedo e, finalmente, o pouco tempo que demora até ela chegar. Perto da minha interpretação, mas muito mais interessante.

Ramen

[07/11/2009-16:16]

A imagem não pertence a este dia mas, visto hoje ter comido ramen ao almoço e ao jantar, achei por bem pôr aqui esta curiosidade. ramen, para os que não sabem, é um tipo de massa japonesa que é comido numa tigela ou, no caso da imagem, num balde. Pode ser acompanhado por uma panóplia de ingredientes adicionais que pode ir desde especiarias - picantes - da Coreia até vegetais ou carne. Mas isso não é o mais interessante, quando se come ramen por aqui, contra todas as regras de boa educação ocidentais, deve-se fazer barulho ao sorver, como se de uma bebida bebida por uma palhinha, a dita "massa" apanhada pelos pauzinhos do referido balde. Agora imaginem a seguinte imagem uma mesa com japoneses e com estrangeiros, uns a fazerem um barulho que, para muitas mães e vós, seria nojento e outros a tentarem comer o melhor que podem, sem se aventurarem nesse desafio de ferir os ouvidos e as mentes da longínqua sociedade ocidental. É claro que, só é desculpável por serem estrangeiros: o barulho é sinal de que o ramen está bom e, por isso, um elogio ao cozinheiro e e ao restaurante.
Alas, como em tantas outras coisas, é automático e, por muito mau que o ramen esteja, a maioria dos japoneses, estou aqui de propósito a excluir os yakusa, comerão da mesma barulhenta maneira.

Afro Samurai

[25/01/2010-15:31]


Este é dos animes mais impressionantes que as aulas do semestre que agora acaba me apresentou. A história - vingança vingança vingança - não é particularmente inteligente e a premissa - toda a gente pode e vai vai atacar o herói e só ele quer atacar a única pessoa que é melhor do que ele - não é particularmente imaginativa. Mas, tal como se pode deduzir do título, o que é mesmo novo neste anime é a totalmente estranha, bizarra e, por vezes, ultrajante mistura da cultura Americana com o Japão feudal. Temos um samurais que é pretos, a fumar cigarros tipo Clint Eastwood, a lutar contra inimigos que têm lanças tradicionais ou bazucas. Estes, por vezes, são comandados por uma organização composta por velhos sábios com todo o aspecto de mestres zen, sediada num templo Budistas onde há stripers loiras e braços mecânicos à lá terminator. É perfeito para quem conhece bem o mundo do Japão feudal - por Portugal conhecido pelo Samurai X - e todos os mais sabidos toques de um filme bem americano. Não esperem uma masterpiece, mas vale a pena dar uma olhadela. E já agora, a animação é totalmente fantástica.

Memoirs of a Geisha

[03/11/2009-09:14]

Há um mês, ou lá perto, atrás vi esta gema que, embora demasiado hypada, mostra muitissimo bem algumas das vidas, atitudes, maneiras e emoções vividas no Japão pré-guerra e, mais tarde, o contraste terrível e arrebatador do Japão pós-guerra. Felizmente, como hoje posso comprovar, muita coisa não se perdeu e outras foram infinitamente melhoradas. Mas vendo as imagens do que seria Kyoto, com Geishas a caminhar lentamente com os seus coloridos quimonos e sombrinhas, com as casas soltas das sombras de arranha-céus, com a ocidentalidade completamente banida da vista, som e coração, não se pode deixar de suspirar e ter pena que o tempo não pare, por um momento que seja.

Gomenasai

[29/10/2009-13:27]

No Japão gomenasai, a forma mais formal de gomen, é como se pede desculpa. Não o desculpe de "deixe-me passar" ou o "oops essa coisa que eu pisei era o seu pé", mas o desculpa por algo que foi por causa de algo que está egoisticamente relacionado com a pessoa que pede. Dito isto, os Japoneses exageram. Hoje a minha sensei, ao bater na mesa, pediu-lhe desculpa - à mesa! - de forma completamente automática e irreflectida. Isto é mais ou menos normal. Pede-se desculpa tantas vezes, em tantos (todos) lugares, por tantas coisas e a tantas (todas) pessoas que até à mesa, ao semáforo ou ao carrinho de supermercado se pede. Isto faz com que tudo seja muitíssimo educado mas que, em última analise, cada desculpa seja inteiramente despido de sentido. eu, pessoalmente, prefiro a minha estratégia.

Hokkaido (07/xx) End day

[07/02/2010-22:51]

Fim do dia. Muito frio, alguma neve. A mochila começa a pesar nas costas e a capa académica é uma aliado importante para o tempo que a noite dá. Espera-se um autocarro, faz-se a ligação para outro e finalmente está-se na estação de comboios. Lá, apanha-se o comboio para a maior cidade de Hokkaido, onde o hotel espera. Se o dia de hoje foi cansativo, o dia de amanhã sê-lo-à mais. Dormita-se na viagem. Chega-se a Sapporo. Encontra-se, depois de várias voltas, o dito hotel. Compra-se o jantar na combini mais próxima e é tempo de dormir.

Hokkaido (06/xx) Onsen

[07/02/2010-19:51]

Como dito à alguns posts atrás, Noboribetsu é muito conhecido por ter onsens. Onsen são banhos públicos muito normais no Japão. Normalmente o Onsen tem uma sauna, várias piscinas com diferentes águas, a diferentes temperaturas e para diferentes propósitos. Como não se pode deixar passar a oportunidade de experimentar, lá se foi para dentro, enfrentando uma quantidade mais ou menos reduzida de homens nus e uma muito sufocante concentração de vapor de água. A água, pelo que nos dizem é natural e aquecida pela grande actividade vulcânica do local. Mas o que torna este onsen mesmo bom é que têm um banho ao ar livre: estar mergulhado em água a quarenta e muitos graus ao mesmo tempo que se vê neve a cair por cima de nós é uma coisa que toda a gente devia experimentar. Em particular se a neve se materializar, como por mágia e em grande flocos, na escuridão da noite.
Como o vapor era muito as fotos ficaram totalmente inutilizáveis ~ deixo por isso um demónio exterior, numa nascente de água quente rodeada de neve.

Hokkaido (05/xx) Bear Park

[07/02/2010-19:36]

O dia estava a terminar mas ainda houve tempo dar um pulo ao Bear Park. Um local onde, como se vê pelo nome, era dedicado aos ursos. O parque, uma má tradução visto que em japonês estava escrito rancho, era no cimo de uma das montanhas mais altas da região, sendo o topo atingível por um teleférico que, na subida, oferece uma visão digna. Chegando ao cimo há vários fossos com ursos de várias espécies ou subespécies, aos quais pudemos atirar uma espécie de biscoitos. No entanto, mais surpreendente que os ursos, são os inúmeros, barulhentos e horrendos corvos que estão semeados, pelos mesmos biscoitos, nestas paragens. Assim sendo, metade dos biscoitos caiam longe dos ursos e, sendo os corvos muito mais rápidos que esses gigantescos animais, rapidamente os recolhiam. É muitíssimo interessante ver quanto é que um corvo se aventura perto das patas de um urso e posso dizer que é muito mais perto do que eu me aventuraria. É claro que estes ursos deviam estar a hibernar e, portanto, pareceram-me muito mais pesados do que seria normal, mas mesmo assim ... Outra coisa impressionante é o tamanho dos ursos: entrando num corredor que nos mete no mesmo nível dos enormes animais é possível estar face-to-glass-to-face com eles e eu posso dizer que a cabeça de um urso é umas quatro vezes a minha e a pata de um urso é grande o suficiente para englobar toda a minha face. Felizmente, ou não, estes ursos estavam bastante habituados ao processo e a única coisa que queriam eram os ditos biscoitos que, dados de dentro do túnel por uma espécie de tubos, não era roubados pelos corvos.
No fim, visitando o local coberto de neve, ao mesmo tempo que o frio, a neve e o azul das mãos nuas se adensava, uma visão que dificilmente se vê na foto mas que está perfeita na meu espírito: um corvo com um pedaço de carne crua, vermelha e ensanguentada no bico, a ser perseguido por uma multitude dos seus "companheiros" entre as negras árvores e os o acinzentado céu. Aqui, no cimo da montanha, mesmo que os ursos estejam em fossos e mesmo que os corvos não debiquem nos cadáveres gelados pelo frio, a natureza ainda resplandece, num relembrar que nem sempre o homem tem todos os trunfos no jogo da sobrevivência.


Sunday, 21 February 2010

Hokkaido (04/xx) Yuzawa Jinja

[07/02/2010-19:36]

Templo xintoísta minúsculo perdido no meio da minúscula cidade. É bonito como a neve trás uma tranquilidade suplementar fortíssima até ao mais minúsculo templo que a acolhe.