Saturday, 13 March 2010
Namba
Satanic Japan
É engraçado ver como a cultura se move de um lado para o outro e como as coisas são modificadas para ficarem confortáveis nas mentes de quem as "sabe", mesmo que isso implique uma totalmente desapropriação do seu significado original. E agora, o que é mesmo interessante é pensar que, se nós, ocidentais encontramos pérolas destas no Japão, que pérolas não encontraram os Japoneses por cá? ;)
BL
BL, abreviatura de boys love, é um estilo de manga que coloca dois personagens masculinos numa relação perfeita para as mentes femininas: muito amor, muita perfeição, muita beleza, muitas mãos dadas, muitos olhares à lá Richard Gear, muitos pores do sol, muitas conversas depois da coisa que, quando aquece, também aquece à maneira feminina. Este corredor, como se vê no canto superior esquerdo, é a secção de BL de uma loja de manga relativamente pequenas mas com alguma fama. Toda a infinidade de livros que se vêem têm, em algum ponto, explicito ou implícito, algum a sodomizar outro...
Outra coisa interessante a notar era a quantidade de meninas e mulheres que deambulavam por esta secção: magotes! A única parte da loja em que a presença feminina existia, parecendo-se eclipsar em todas as outras secções ~ talvez não seja estranho, mas é engraçado de constatar XD
Friday, 12 March 2010
Entupido
É como está o meu nariz ~ acho que foi da viagem ou da mudança de clima ou da humidade. Não há-de ser nada, há ali um montam de medicamentos: acho vou tentar um ou dois que tenham nomes fixes!
Omizutori (part I)
Esse ocorre uma vez por ano por esta altura no Nigatsudo, um subtemplo do complexo de que faz parte o Todai-ji que tem um Buda de quinze metros. Como esperado Nara estava a abarrotar, mesmo caminhado por trilhos secundários (perdidos!) e o local do dito festival estava impossível: hoje é o dia onde há mais tochas. Ou seja, este festival, que afugenta os espíritos maus do inverno, dá sorte e dá as boas vindas à primavera é, essencialmente, um espalhar de cinzas das varandas altas do dito Nigatsudo. Essas, vêem de tochas que são apresentadas, caminhadas, abanadas e, por fim, desfeitas, à vista dos deslumbrados espectadores que, estando em baixo, recebem as cinzas e toda a sorte que elas transmitem. Hoje é o dia em que há mais tochas, em que as tochas são maiores e em que há mais gente e eu ... confesso que fiquei desiludido...
Porquê? Porque as tochas vieram uma a uma, diminuindo em muito o espectáculo visual esperado. A primeira foto
De qualquer modo, graças à companhia e ao facto de se verem japoneses totalmente malucos com o espectáculos e ao parque de Nara ao crepúsculo e à noite ~ valeu a pena! :)
Sabia que ...
... no Japão não se pode comer e andar ao mesmo tempo? A falta de habito levou a melhor e, depois de sair da estações, comprei um onigiri e fui comendo-o enquanto caminhava para casa ~ grande erro! Os transeuntes, em particular aquelas velhinhas que andam muito curvadas, lançavam-me aqueles olhares de "que nojo", "já não há maneiras" e "vê-se mesmo que não há educação no mundo". Por aqui tem de se parar, comer e depois, muito rápido se for necessário, recomeçar a marcha :)
Back to it
Despedidas feitas e rumo, mais uma vez, e desta vez pelo meu passo ajudado pelos comboio que nunca se atrasam, para Tenri. Olhando em volta, há os homens e mulheres vestidos de fatinho - na foto um dos melhores exemplos que já vi de uma Office Lady - para ir ou a voltar do trabalho, as roupas informais estranhas, os olhos como fendas e não janelas para a alma, os familiares (namba, saidaiji, hirahata) nomes das estações em kanji e romanji ~ sim, é mesmo, estou de volta ao Japão.
Wednesday, 24 February 2010
Fauna nas estações
[30/10/2009-11:11]
Algumas imagens da população volátil e sempre em movimento das estações e comboios da zona de Osaka por onde me aventurei hoje. Note-se na menina de cima a saia minúscula e os sapatos mal calçados de modo a serem mais fáceis de tirar ao entrar em edifícios em que tal seja necessário. Note-se o menino de cima cujo eyepatch é igual aos tantas vezes aparecem em animes e afins. Note-se, em baixo, um olhar privilegiado sobre a mente pervert japonesa; a estação vazia combatendo um comboio cheio; e a confraternização rara entre os heróicos funcionários, vestidos a rigor, de estações e comboios que tornam tudo possível.
Estranhezas IV
Os comboios daqui são menos usados, feitos para levar mais gente de uma vez e muito mais raros nas chegadas e partidas. Não se parecem em nada com um metro de superfície e não tem uma paragem em praticamente todas as cidades, vilas e aldeias em que podem ou devem parar. Não é precisso picar o bilhete quando se entra e sai da estação, mas há um revisor que, a meio da viagem nos pede e verifica o pequeno papel. Esse pode - wow! - ser comprado em caixas de multibanco normais e não nas máquinas automáticas que esperam clientes em todas as estações. Aqui também há três tipos de comboios base mas são os melhores (alfa e intercidades) que são parecidos entre si e não os piores (local e expresso). Além disso não há shinkansen em lado nenhum e as maiores estações não são gigantescos centros comerciais subterrâneos. Finalmente, aqui os comboios não são uma espécie de orgulho e força motriz nacional ~ e ainda bem.
Estranhezas III
Quando se chega a casa deve-se tirar os sapatos. E se antes ainda havia uma certa não familiaridade com isso, agora é das coisas mais automáticas. O problema é que aqui não há tatamis, os tapetes feitos de algo que se parece com palha e que fazem com que os pés não fiquem totalmente enregelados como quando andam pelo lisíssimo chão de pedra que cobre as casas de Portugal. -_-"
Pitas em Nara
[29/10/2009-22:01]
Como nem só de comida japonesa pode viver o homem, hoje foi-se a um restaurante de pitas, aquelas coisas longínquas e estranhas que consistem num pão de forma estranha recheado com carne e alface e molhos e coisas. Não fossem os japoneses picuinhas com a comida, foi a melhor pita que já alguma vez comi, embora também tenha sido a mais cara. O cherry on top foi quando começou a passar uma música dos nossos Madredeus. Suponho que para japoneses, qualquer música de línguas estranhas com um toque ambiental dê para por num restaurante estranho e mais ou menos exótico. Seja como for, foi uma agradável surpresa.
Tuesday, 23 February 2010
Lição VI - Evangelion
[19/10/2009-18:52]
Hoje na aula de anime falou-se em transformações. De power rangers até a armaduras especiais, do Akira até ao Evangelion. Que heresia! Do evangelion nada de nada de nada foi dito que estivesse totalmente correcto e o resto da aula não trouxe nada de novo. Desde quando é que a absorção do Shinji pelo Eva é uma "transformação" e metáfora do crescimento da personagem? Talvez eu seja demasiado picuinhas quando se fala do melhor anime do mundo, mas assim não dá! -_-"
Tenri: 34°36′N 135°50′E
Tal como eu antes da viagem, agora apercebo-me que há uma multitude inacreditavel de pessoas que não faz a mínima ideia onde é Tenri, a terrinha em que habito no Japão. No mapa de cima vê-se bem as distâncias relativas. De Tenri a Osaka ou kyoto é aproximadamente uma hora, o que dá quatro ou cinco euros na viagem de comboio. Ir a Tokyo demora uma noite no pior e mais pequenos dos autocarros e Hiroshima, pela distância, será o mesmo. No mapa não aparece, mas muito mais para cima é Hokkaido onde só se vai em tempo útil de avião. Seja como for, é uma localização fantastica: fica pertíssimo de um dos grandes centros urbanos (Osaka) e do local onde o Japão é mais japonês (Kyoto) ~ feel free to visit one of these days ^_^
Chisato stared
[03/11/2009-14:55]
Esta é uma das melhores animações que já vi. Saiu da mente de um aluno do terceiro ano de uma Universidade dedicada a anime e manga em Tokyo. Só pelo Japão é que isto é possível ...
Ore wa Jakku Baua
[31/01/2010-20:32]
Os japoneses são doidos e isto é uma excelente prova desse facto.
One Piece: Strong World
[12/12/2009-23:55]
Noroi
[11/12/2009-16:00]
Tonari no Totoro
[10/01/2010-18:35]
Depois da visita, no ano passado, ao museu da Ghibli, finalmente vi o que é dos, se não o, anime mais famoso por aqui: Tonari no Totoro. Independentemente e se gostar ou não de anime, os Japoneses parecem ver o Totoro como algo à parte e, por isso, ele é adorado por praticamente toda a gente. Razão? Muito à maneira japonesa me disseram que ele é “ooki de kawaii” (grande e fofinho); e que mais é que é preciso para se gostar de um filme se não uma personagem assim?Muito se fala sobre a sua atracção para crianças e adultos portanto vou passar a parte técnica dos maravilhosos e tantas vezes mágicos desenhos, vou passar as personagens tão cheias de humanidade e vida e vou directamente para algo que, agora que aqui estou, me atingiu com muito mais força do que eu pensei ser possível. O filme é japonês! Totalmente japonês o mais japonês que podia ser. Só agora noto que ele tem muito mais coisas do Japão do que me seria possível entender antes. O tirar os sapatos antes de entrar em casa; a vénia dada pela rapariga à velhota que os ajuda; a estrada ladeada por campos de arroz até perder a vista; o estudo de kanjis na escola; um torii e uma árvores gigantesca com uma corda com papel cerimonial à sua volta onde, de acordo com a tradição japonesa, moram os deuses e onde a família vai prestar os seus agradecimentos; e, por fim, a total falta de violência, ódio, revolta e maldade que não estou a ver em praticamente nenhum outro tipo de filme no mundo. Afinal, qualquer filme em que apareça um gato que é um autocarro tem de ser bom não é?
Kamikaze
[10/11/2009-18:17]
Estávamos algures entre mil duzentos e setenta e quatro e mil duzentos e oitenta e um, quando uma serie de tufões que impediram a invasão do Japão pela Mongólia. Esses ventos tiveram o nome de Ventos de Deus, em Japonês Kamikaze (神風). Alguns séculos para a frente e esse é o nome usado por pilotos suicidas que despedaçaram, pelo menos no inicio, as forças americanas com ataques raramente vistos na história da guerra. A motivação desses, muitas vezes jovens, pilotos para dar a vida pelo país foi meticulosamente construída pela educação baseada na protecção do estado, na religião promovendo o Japão como uma especial e única teocracia baseada no imperador, e nas crenças antigas que a morte trás uma transformação divina num kami (deus) e que, ao morrer de tão honrosa maneira, a sua importância seria aumentada. Isto tudo sem esquecer a tradição dos samurais em que a honra e a morte se encontravam intimamente ligadas. Cada país tem as suas pancas e esta foi claramente das maiores pancas que houve num país que, já à partida, tem muitas. É muitíssimo interessante ver como é que o Japão era no antes e no depois da segunda guerra mundial, juntamente com as causas e consequências do que se passou. ~ aiai ~ história e cenas né ~
Monday, 22 February 2010
Inglês
Estranhezas II
Hoje disseram-me para ir pôr o lixo lá fora. Não se teve de olhar para um calendário, de ver se era o dia correcto, nem verificar se havia ou não recolha. Além do mais, no fundo da rua havia um contentor onde toda a gente podia pôr o lixo a qualquer hora, visto este ser recolhido todas as noites. Do mesmo modo, a embalagem de iogurte liquido foi posta num saco onde se encontravam mais embalagens de iogurte liquido, saco esse que poderá ser posto a qualquer altura no local designado para o efeito ~ coisa prática não é?
Kanji (八) 早
[29/10/2009-23:31]
O significado desde kanji é difícil de saber e fácil de inventar. Ele significa rápido (早), mas só pode ser usado quando o rápido tem haver com tempo e não velocidade. Eu pensava que o kanji era um sol (日) a erguer-se de manhã, algo que, é sempre mais rápido do que parece. Afinal, a representação antiga do kanji era uma espécie de nós a ser fervida para obter uma tinta escura. O tempo fez com que esse escuro simboliza-se a noite antes da alvorada, depois, a manhã cedo e, finalmente, o pouco tempo que demora até ela chegar. Perto da minha interpretação, mas muito mais interessante.
Ramen
[07/11/2009-16:16]
Alas, como em tantas outras coisas, é automático e, por muito mau que o ramen esteja, a maioria dos japoneses, estou aqui de propósito a excluir os yakusa, comerão da mesma barulhenta maneira.
Afro Samurai
[25/01/2010-15:31]
Este é dos animes mais impressionantes que as aulas do semestre que agora acaba me apresentou. A história - vingança vingança vingança - não é particularmente inteligente e a premissa - toda a gente pode e vai vai atacar o herói e só ele quer atacar a única pessoa que é melhor do que ele - não é particularmente imaginativa. Mas, tal como se pode deduzir do título, o que é mesmo novo neste anime é a totalmente estranha, bizarra e, por vezes, ultrajante mistura da cultura Americana com o Japão feudal. Temos um samurais que é pretos, a fumar cigarros tipo Clint Eastwood, a lutar contra inimigos que têm lanças tradicionais ou bazucas. Estes, por vezes, são comandados por uma organização composta por velhos sábios com todo o aspecto de mestres zen, sediada num templo Budistas onde há stripers loiras e braços mecânicos à lá terminator. É perfeito para quem conhece bem o mundo do Japão feudal - por Portugal conhecido pelo Samurai X - e todos os mais sabidos toques de um filme bem americano. Não esperem uma masterpiece, mas vale a pena dar uma olhadela. E já agora, a animação é totalmente fantástica.
Memoirs of a Geisha
[03/11/2009-09:14]
Há um mês, ou lá perto, atrás vi esta gema que, embora demasiado hypada, mostra muitissimo bem algumas das vidas, atitudes, maneiras e emoções vividas no Japão pré-guerra e, mais tarde, o contraste terrível e arrebatador do Japão pós-guerra. Felizmente, como hoje posso comprovar, muita coisa não se perdeu e outras foram infinitamente melhoradas. Mas vendo as imagens do que seria Kyoto, com Geishas a caminhar lentamente com os seus coloridos quimonos e sombrinhas, com as casas soltas das sombras de arranha-céus, com a ocidentalidade completamente banida da vista, som e coração, não se pode deixar de suspirar e ter pena que o tempo não pare, por um momento que seja.Gomenasai
[29/10/2009-13:27]
No Japão gomenasai, a forma mais formal de gomen, é como se pede desculpa. Não o desculpe de "deixe-me passar" ou o "oops essa coisa que eu pisei era o seu pé", mas o desculpa por algo que foi por causa de algo que está egoisticamente relacionado com a pessoa que pede. Dito isto, os Japoneses exageram. Hoje a minha sensei, ao bater na mesa, pediu-lhe desculpa - à mesa! - de forma completamente automática e irreflectida. Isto é mais ou menos normal. Pede-se desculpa tantas vezes, em tantos (todos) lugares, por tantas coisas e a tantas (todas) pessoas que até à mesa, ao semáforo ou ao carrinho de supermercado se pede. Isto faz com que tudo seja muitíssimo educado mas que, em última analise, cada desculpa seja inteiramente despido de sentido. eu, pessoalmente, prefiro a minha estratégia.
Hokkaido (07/xx) End day
[07/02/2010-22:51]
Hokkaido (06/xx) Onsen
Como dito à alguns posts atrás, Noboribetsu é muito conhecido por ter onsens. Onsen são banhos públicos muito normais no Japão. Normalmente o Onsen tem uma sauna, várias piscinas com diferentes águas, a diferentes temperaturas e para diferentes propósitos. Como não se pode deixar passar a oportunidade de experimentar, lá se foi para dentro, enfrentando uma quantidade mais ou menos reduzida de homens nus e uma muito sufocante concentração de vapor de água. A água, pelo que nos dizem é natural e aquecida pela grande actividade vulcânica do local. Mas o que torna este onsen mesmo bom é que têm um banho ao ar livre: estar mergulhado em água a quarenta e muitos graus ao mesmo tempo que se vê neve a cair por cima de nós é uma coisa que toda a gente devia experimentar. Em particular se a neve se materializar, como por mágia e em grande flocos, na escuridão da noite.
Como o vapor era muito as fotos ficaram totalmente inutilizáveis ~ deixo por isso um demónio exterior, numa nascente de água quente rodeada de neve.
Como o vapor era muito as fotos ficaram totalmente inutilizáveis ~ deixo por isso um demónio exterior, numa nascente de água quente rodeada de neve.
Hokkaido (05/xx) Bear Park
[07/02/2010-19:36]
No fim, visitando o local coberto de neve, ao mesmo tempo que o frio, a neve e o azul das mãos nuas se adensava, uma visão que dificilmente se vê na foto mas que está perfeita na meu espírito: um corvo com um pedaço de carne crua, vermelha e ensanguentada no bico, a ser perseguido por uma multitude dos seus "companheiros" entre as negras árvores e os o acinzentado céu. Aqui, no cimo da montanha, mesmo que os ursos estejam em fossos e mesmo que os corvos não debiquem nos cadáveres gelados pelo frio, a natureza ainda resplandece, num relembrar que nem sempre o homem tem todos os trunfos no jogo da sobrevivência.
Sunday, 21 February 2010
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