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Monday, 23 August 2010

One one time... post office :o

Today I when to the mail-post to send a letter. As I'm leaving soon I put nothing in the "FROM" part of the envelop except for a joke-like 日本 (Japan) and my name. The face of the man working there, as I told I him I wouldn't have an address in Japan soon, was priceless: a mist of "oh shit" and "what can I do now" and "oooh SHIT". He talked to his college and he told him I should probably put my home-country address. By now I was enjoying the small dark box they were running in and told them I didn't want to do that. His face when from bad to worse. I'm the customer so, without one hundred and one per cent sure, he wouldn't be able to tell me I must do it. And his epic journey through bureaucracy started. He talked with the rest of his colleges, all of which looked sympathetic, waving their heads in acknowledge of the problem but, nevertheless, useless in solving the storm I've caused. Then, he when "inside" to the unknown and invisible parts of the building, the deepest offices of the Vogons in charge. After a while he was out, maybe not with a solution but at least, apparently, with a plan. The promptly when to his desk, picked up the phone dialed and ... waited. After a while a conversation had begun to surge and, as your eyes met I know the storm was coming to an end. Finally, he came to me and, with no doubts or problems or thoughts, told that I must put my home adress in the letter.

This short, truth, sightly humorist and somewhat sad story shows what I consider to be the worse part of the Japanese culture in motion. The total inability to see, analyze and go beyond the preset rules; the small through completely and utterly stuck in the small dark box of the corporate culture; the total lack of flexibility to solve, by other means and other, more suitable, ways, a specific, unpredicted problem; is what ultimately limits and shorten the views and minds of this beloved country. If, by some magical achievement, the Japanese spirit could go past this limitation and, at the same time, keeping the union, the effort and the persistence that characterizes them, Japan would go even further, reaching to the stars and beyond, like no other country does and is doing in this day and age.

皆さん頑張れ!

Wednesday, 21 July 2010

O tempo e o teste

Não é que eu tenha morrido ~ longe disso! Mas a situação por aqui, com as mudanças e as despedidas e os exames e as viagens e as coisas não me deixam dedicar tanto tempo quanto quereria/deveria a este espaço. Alas, hoje faz-se uma espécie de ponto da situação.

Por aqui, acabou de acabar a época das chuvas. A horrivelmente molhada, sufocante inibitória época das chuvas. Nas piores alturas, sair de casa significava dar um mergulho numa atmosfera com noventa e nove por cento de humidade que de mão dada ia com um calor sufocante. É engraçado ver como o suor de dentro e a chuva de fora se podem confundir de forma tão perfeita. E claro, foi giro estar no meio de tempestades tropicais em que a chuva molha mas não esfria ^_^
Agora, o Verão japonês planeia avançar dolorosamente, ainda nem estamos em Agosto mas já o céu azul ameaça temperaturas que não ficam atrás dos piores momentos de Portugal ... sem esquecer que, por aqui, não há uma abundância de praias.

* * *

Hoje foi o exame final de kanji e de leitura. Eu deixo a analise do de kanji para outras alturas em que a memória esteja menos danificada e passo para a surpresa do dia e, afinal, a razão deste post. O exame de leitura é, no fundo, ler um texto e mostrar que o entendemos respondendo a algumas perguntas. Não surpreendentemente entender o texto é muito mais fácil que responder às perguntas mas, em geral, não é nada que não se faça com mais ou menos dificuldade. Os textos, tanto os do exame de hoje como os dos exercicios passados, tem como tópicos, em geral, partes ou histórias ou curiosidades da cultura japonesa.
O exame de hoje vinha em duas partes. O primeiro texto falava sobre um reencontro entre dois amigos, mais de quarenta anos depois, e de como a amizade dos dois se baseava (e, depois do encontro, se continua a basear) no facto de ambos gostarem de ... pescar. Isto pode parecer estranho, em particular com todas as idiossincrasias que o texto explicitava mas, por estes lados orientais, não é algo que eu não veja acontecer de forma mais ou menos normal. Já se sabia que os orientais em geral e os japoneses em particular tem uma maneira muito particular, i.e. fundamentalmente diferente, de ver as relações humanas e os sentimentos de que delas advém mas nada disso me podia preparar para o segundo texto, repito, do exame final.
Este texto falava, de forma muitíssimo detalhada sobre a infância de uma criança que perde o pai com uns sete ou oito anos. O testo começava com a frase "quando estava no primeiro ano da escola, o meu pai morreu " e continuava a explicar a vida que o pai levava - workaholic, nunca em casa, a viajar para o estrangeiro, ausente e sempre ocupado - como ele morreu - quando estava a beber sake com os clientes e caio para o lado depois de fazer uma cara de dor - como ele (a criança) foi acordado pelo telefone numa noite fria de Fevereiro e como a mãe o levou ao hospital onde o pai, que já nada falava, estava; como a mãe dele, durante muito tempo depois, chorava fortemente; como a vida de casa mudou com a necessidade da mãe arranjar um trabalho e a solidão e tristeza sentida - aqui detalhes mórbidos como o facto dele fechar a porta de casa depois da mãe sair ou o facto dele esperar por ela depois da escola sozinho coma sua dor - e, por fim, como ele, repito, uma criança de sete ou oito anos, se sentia triste e em lágrimas cada vez que via crianças da mesma idade a saírem de casa com os pais para irem a qualquer lado e como ele não tinha a coragem para pedir o mesmo à mãe vendo quão cansada ela sempre estava a trabalhar sete dias por semana. E sim, isto tudo num exame final, mesmo sem saber que tipo de famílias, relações e traumas tem os alunos que tem de, obrigatoriamente, fazer o teste. Agora, corrijam-me se eu estiver enganado: em Portugal e provavelmente no resto da Europa (não sei quanto às Américas) isto nunca acontecia pois não?
No fim do exame, chocado, fui perguntar ao professor porque é que o texto era tão triste e ele responde-me, com uma cara de incredibilidade, "não é nada triste, é normal". Eu ainda não sei bem o que é, mas de uma coisa eu tenho a certeza absoluta: os japoneses não têm, vêem, sentem e pensam as relações e emoções como nós, povos não asiáticos, o fazemos.

Monday, 24 May 2010

考えたくない

Hoje, embora a manhã tenha estado com chuva, aquela chuva que molha e faz com que não nos queiramos levantar, a tarde esteve coberta de nuvens, daquelas que abafam e microclimatizam a atmosfera para um desagradável sufoco. Hoje, nesse clima, numa conversa com uma Tailandesa sobre a brevidade da estadia aqui e sobre as escolhas que temos de fazer, la disse-me 考えたくない (não quero pensar). Hoje, a brevíssimos dias de voltar a Portugal, apercebo-me de mais algumas subtilidades da cultura asiática: se é desagradável, se não é mudável, se não ajuda ao agora, mais vale não pensar nisso.
Ao mesmo tempo, o tempo passa e toda a gente se começa a aperceber que, daqui a algumas horas, a vida como a conhecemos vai deixar de existir. A pressa de experimentar o que falta, a vontade de comprimir tudo o que não se fez, e a melancolia das lembranças que já ficaram para trás, começam a pesar enormemente no dia-a-dia que, tal como esperado do Verão japonês, vai ficando cada vez mais quente, abafado e doloroso cada vez que se tenta ter uma inspiração mais profunda e, talvez, fresca.

Saturday, 10 April 2010

O hoje prolongado

Suponho que devia dizer o que ando a fazer por estes lados. Estamos no inicio do fim da famosa, pequeníssima, bela e ocupada época das sakuras: as flores rosa, brancas e, até, azuis, abrem num esplendor ferocíssimo e, de seguida, as pétalas caem e nada sobra sem ser o tapete de pétalas no chão. Para os Japoneses é a metáfora perfeita para a efemeridade e o total descontrolo que temos sobre o que acontece numa vida dominada pela natureza e o destino. Sendo assim, o que não faltam é festivais e locais e festas para ir, ver, fotografas e experimentar.
Por outro lado as aulas começaram. Além do seguimento, muito mais difícil, complicado e com um professor on-crack do curso intensivo das manhãs no primeiro semestre, meti-me - e ainda não percebi porque - em aulas da tarde, com professores novos, manias e, mais importantemente, matéria e pessoas novas. E, embora haja aulas em inglês que se adivinham fantásticas, as aulas suplementares cheiram-me a dificuldades tramadas. Além disso, claro, há as normais arrumações que parecem infinitas, a loiça, a roupa, a limpeza, e tudo o mais. Finalmente, claro, o tempo aquece e o que será o Verão apresenta-se por entre as caídas pétalas: há insectos no ar, há lagartos, aranhas e sons que seriam de outros mundos se não fosse o hábito e a capacidade de adaptação.
Alas, indeed in my wonderland ... maybe!

PS: fotos do dia de hoje em Kyoto ~ há muitas mais, mas não há tempo para fazer um selecção a sério ~ uff

Sunday, 14 March 2010

Língua de veado

Um veado pequenino e a sua mamã no parque de Nara. Se repararem ele tem a língua de fora: nunca a pôs para dentro e estou convencido que é um problema, talvez genético, que ele tem. Como os veados aqui são alimentados e mantidos pela população é normal que a selecção natural não seja tão apertada como seria num ambiente mais selvagem. Alas, suponho que seja kawaii ne :o

Clubes do/no Japão

Para quem vê anime os clubes japoneses não são uma novidade assim tão grande: depois das aulas, da escola primária até à universidade, e às vezes para alem disso, milhões de jovens se dedicam, de corpo e alma, que, não raramente, passa a ser mais importante do que as aulas em si. Os clubes têm um valor social enorme. Por um lado permitem à pessoa encontrar outros que partilhem os seus gostos, coisas na sociedade japonesa rara e que não acontece se não se criar uma situação ou localização para isso. Por outro, faz com que o desenvolvimento físico e slash ou mental da pessoa não seja só focado no que dado nas aulas. Não é normal haver japoneses que sabem tocar guitarra ou koto, que saibam caligrafia a nível profissional, que já tenham praticado algum desporto ou arte marcial, ou que já tenham convivido mais com uma língua estrangeira por que se interessam. Dito isto há clubes de tudo e as suas regras são decididas internamente. Há clubes muitíssimo estritos, em que hà regras para tudo, desde quando se entra até como se cumprimenta as pessoas; e clubes muito mais suaves, em que o convívio é muito mais importante do que o que se faz. No entanto, mesmo assim, é raro o club que não tenha pelo menos um grande feito - uma peça de teatro, um concerto, uma medalha numa qualquer competição - por ano. É claro que também há desvantagens: como já me disseram, o clube tira a liberdade das pessoas. Se se gosta de futebol mas não se quer ou não se pode estar no clube tanto quanto se espera (o que mais se ouve neste tipo de coisas é ganbatte, japonês para esforça-te, que tem significados desde "boa sorte" até "devias estar a trabalhar mais" ), a pressão social e o status quo faz com que se desista em vez de andar lá sem dar cem por cento. E, claro, é muito difícil para os japonesas organizarem-se só porque sim, sem haver um propósito ou uma desculpa para o fazer: um grupo de pessoas encontrar-se uma pontual dia para jogar futebol é estranho, mas o mesmo grupo de pessoas organizar um clube para jogarem já não.
A foto mostra o clube de basebol da escola primária ou segundária de Tenri. Cada elemento está equipado e, agora que as aulas estão acabadas, passará as próximas horas a esforçar-se pelo simples facto de gostar de basebol e, talvez, querer conhecer mais pessoas que também o façam. Jogar só pelo prazer de jogar? Nah ... isso é para as crianças!

Saturday, 13 March 2010

Satanic Japan

Esta é das lojas mais awesome que já vi até hoje e assim o é essencialmente por não ser uma loja: é mais um espaço onde se podem vender determinados items. É, admitidamente, uma loja satânica e toda a sua imagética o indica: candelabros e correntes a pender do tecto, teias de aranha por cima dos moveis, bonecos com o toque certo de creepy e desconfortavel, mãos mortas com anéis antigos por cima da mesa, uma música muitíssimo desconfortável que em tudo fazia lembrar esgotos ou castelos ou os esgotos de castelos. Nesse espaço também se vendiam coisas - e aqui se vê como o Japão vê algo tão ocidental como o satanismo - estão a ver aquelas cruzes, pentagramas e símbolos diversos estranhas com motivos que vão desde os olhos de gato egípcios até às cruzes duplas invertidas? Estavam aqui à venda como se fossem antiguidades de culto, únicas e místicas, com poderes que só os mais negros feiticeiros e bruxas conseguiriam extrair, causando a destruição do mundo. Obviamente que tais objectos tem de ser caros e eram mesmo ~ algumas das cosias que eu podia jurar que se compram pelo preço, já assim absurdo, de dez euros num qualquer festival em Portugal, estavam aqui à venda por setenta, oitenta e mais ~
É engraçado ver como a cultura se move de um lado para o outro e como as coisas são modificadas para ficarem confortáveis nas mentes de quem as "sabe", mesmo que isso implique uma totalmente desapropriação do seu significado original. E agora, o que é mesmo interessante é pensar que, se nós, ocidentais encontramos pérolas destas no Japão, que pérolas não encontraram os Japoneses por cá? ;)

Wednesday, 24 February 2010

Fauna nas estações

[30/10/2009-11:11]

















Algumas imagens da população volátil e sempre em movimento das estações e comboios da zona de Osaka por onde me aventurei hoje. Note-se na menina de cima a saia minúscula e os sapatos mal calçados de modo a serem mais fáceis de tirar ao entrar em edifícios em que tal seja necessário. Note-se o menino de cima cujo eyepatch é igual aos tantas vezes aparecem em animes e afins. Note-se, em baixo, um olhar privilegiado sobre a mente pervert japonesa; a estação vazia combatendo um comboio cheio; e a confraternização rara entre os heróicos funcionários, vestidos a rigor, de estações e comboios que tornam tudo possível.

Tuesday, 23 February 2010

Kamikaze

[10/11/2009-18:17]

Estávamos algures entre mil duzentos e setenta e quatro e mil duzentos e oitenta e um, quando uma serie de tufões que impediram a invasão do Japão pela Mongólia. Esses ventos tiveram o nome de Ventos de Deus, em Japonês Kamikaze (神風). Alguns séculos para a frente e esse é o nome usado por pilotos suicidas que despedaçaram, pelo menos no inicio, as forças americanas com ataques raramente vistos na história da guerra. A motivação desses, muitas vezes jovens, pilotos para dar a vida pelo país foi meticulosamente construída pela educação baseada na protecção do estado, na religião promovendo o Japão como uma especial e única teocracia baseada no imperador, e nas crenças antigas que a morte trás uma transformação divina num kami (deus) e que, ao morrer de tão honrosa maneira, a sua importância seria aumentada. Isto tudo sem esquecer a tradição dos samurais em que a honra e a morte se encontravam intimamente ligadas. Cada país tem as suas pancas e esta foi claramente das maiores pancas que houve num país que, já à partida, tem muitas. É muitíssimo interessante ver como é que o Japão era no antes e no depois da segunda guerra mundial, juntamente com as causas e consequências do que se passou. ~ aiai ~ história e cenas né ~

Monday, 22 February 2010

Gomenasai

[29/10/2009-13:27]

No Japão gomenasai, a forma mais formal de gomen, é como se pede desculpa. Não o desculpe de "deixe-me passar" ou o "oops essa coisa que eu pisei era o seu pé", mas o desculpa por algo que foi por causa de algo que está egoisticamente relacionado com a pessoa que pede. Dito isto, os Japoneses exageram. Hoje a minha sensei, ao bater na mesa, pediu-lhe desculpa - à mesa! - de forma completamente automática e irreflectida. Isto é mais ou menos normal. Pede-se desculpa tantas vezes, em tantos (todos) lugares, por tantas coisas e a tantas (todas) pessoas que até à mesa, ao semáforo ou ao carrinho de supermercado se pede. Isto faz com que tudo seja muitíssimo educado mas que, em última analise, cada desculpa seja inteiramente despido de sentido. eu, pessoalmente, prefiro a minha estratégia.

Friday, 12 February 2010

Sexo extra

[11/02/2010-17:12]

Hoje, entretido numa conversa com uma Japonesa que tinha acabado de conhecer, surgiu, talvez meio puxado por mim, o tema da prostituição no Japão. As revelações foram mais longe do que estava à espera. Aparentemente, para a dita menina, que, nas suas palavras, era estranha, era perfeitamente viável, aceitável e normal namorar um rapaz e, enquanto a relação evoluía pelos caminhos hoje em dia não tão normais do beijinho, das mãos dadas e, finalmente, algo mais, o dito menino ir aos chamados fuuzuku - serviços de acompanhantes para homens ou mulheres cá no Japão. Estes serviços são uma maneira muito interessante e inteligente de dar a volta à lei, que existe por muito pressão americana, que não se pode ter sexo com pessoas que se conhecem indiscriminadamente. Ora, nestes serviços, há sempre um café, um cinema, uma bebida antes, e, portanto, o indiscriminadamente não existe: as pessoas, mais ou menos bem, conhecem-se sempre. Outra questão engraçada é o antes de quê e isso no Japão pode variar entre o nada de nada, sexo e todas as coisas no meio como festinhas, mãozinhas, observações, etc. É tudo uma questão de preço. Resumindo e voltando à menina, na mente dela o rapaz ir ao fuuzuku era o mesmo, nas palavras delas, que comer ramen, ir ao karaoke ou comprar um chocolate: é apenas uma maneira de divertimento que não faz comichão a nenhum dos dois e que nada tem haver com a relação que têm. Verdadeiramente impressionante. Embora ela tenha dito que, muitas amigas dela detestem, embora não proíbam os respectivos namorados de ir a tais locais.
Resta saber se este tipo de diferença na mentalidade e maneira de ver o sexo extra é a marca de uma cultura que, desde tempos imemoriais, nunca foi, e que os fieis não se mostrem ofendidos, manchada, pelo pensamento anti-naturalidade, particularmente sexual, da igreja cristã.

PS: este é o primeiro post a usar o novo sistema de datas ~ vamos ver se funciona e se, assim, há mais liberdade para escrever o agora e o antes sem confundir o blog todo.

Tuesday, 2 February 2010

Mentalidades

[02/02/2010-16:17]

A minha sensei tem uns cinquenta e muitos anos e hoje na aula lançou esta pérola que reflecte muito bem uma mentalidade japonesa que, embora se ande a perder, ainda, está viva e de boa saúde no Japão moderno: "os homens são dez por cento maus, mas mulheres é só três por cento".
~ aiai ~

Tuesday, 27 October 2009

Conversas e religião

Hoje, depois de um tempo despropositadamente a dormir fui ter com alguns amigos da Tenrikyo. O convívio, passado num dormitório da organização foi muito mais interessante do que estava à espera. Fiquei a saber para nunca namorar com uma Tailandesa pois são as mulheres mais controladoras do mundo. Fiquei a saber – e a querer ir – que em Tokyo há discotecas em arranha-céus que, em certas noites, tem espectáculos de lazers feitos por helicópteros (!). E fiquei a saber que a vida no Japão é muito mais fácil do que parece, em particular se formos a) abertos ao mundo e/ou b) ligados a uma religião (neste caso a Tenrikyo :)
Mas a conversa que marcou mesmo a noite foi a conversa com um brasileiro, irmão que tinha acabado de conhecer a um amigo meu, que, aparentemente, deve toda a sua vida - conjugal, social e interior - à religião e, com muita surpresa minha, fala desses dos pólos com a naturalidade e sinceridade de um padre (que por acaso não sei se é) mas sem nunca puxar a brasa à sardinha do “vem também pois é a única verdade do mundo” que as religiões ocidentais nos habituaram. A conversa flui normalmente com uma incerteza muitíssimo humana nas palavras e, no entanto, com uma convicção de quem fez e sabe que fez o que pode para ter uma vida sã. Como já disse, uma agradável surpresa. É cada vez mais engraçado ver como a religião no Japão está ao serviço do homem e não o, normal, contrário :)

Sunday, 25 October 2009

Cabelos no Japão

Depois, ou talvez antes, da anteriormente referida questão dos beijinhos, a gentil Mexicana que a originou, de nome Maria, tocou, muito literalmente, na questão do cabelo. E, depois de muitos e variados toques, que foram desde mulheres e homens (lol eu), acidentais e asiaticos, cheguei a uma fatídica, triste e, de certo modo, desapontante conclusão. Não é segredo que acho o cabelo asiático completamente fantástico: cai suavemente pelas costas e ombros, como uma cascata negra e ininterrupta de suavidade inabalável. Ou pelo menos, assim parece. Na verdade é dos cabelos mais fortes, duros e resistente que já vi, tornando o seu toque muitíssimo pouco suave (sarasara, como dizem por aqui) e quase áspero, no pior dos casos. Suponho que, como em tantas outras coisas, seja o (desta vez inconsciente) sacrifício a fazer pelo que parece ~ triste entendimento, triste sensação...

Beijinhos no Japão

Hoje o dia acabou no quarto de um mexicano, cheio de gente de uma multitude de países incluindo, como não poderia deixar de ser, o Japão. Já não me lembro bem mas, a certa altura, a conversa vai de diferenças sociais, para diferenças pessoais gerais, para o toque. É que no Japão, ao contrario do Brasil, Portugal e México, as pessoas não se tocam at all. País e filhos só se abraçam quando são quando os segundos são pequenos, os comprimentos fazem-se à distancia, com uma muito sentida e impessoal vénia, os namorados não se tocam nem dão as mãos (em público pelo menos). Isso tudo discutido e comparado tornou o Japão dos países mais frios representados no dito quarto. É certo que eu também não sou muito de toque mas, até eu acho que por aqui é um exagero. O certo é que, a certa altura, a Mexicana mais "tocadora" da sala e uma das pessoas mais "tocadoras" que já conheci (scary shit too) disse a uma muitíssimo tímida japonesa, que estava a meu lado que era triste não haver beijinhos como comprimentos por aqui e que ela devia experimentar agora. E com isto disse para eu lhe dar dois beijinhos, os nossos beijinhos de Olá. Tudo muito normal e até acredito que ela o tenha feito com a melhor das intenções, visto que, no fim dos ditos, tenha dito "Not that bad, rigth?". Mas, o que é verdade é que a japonesa estava mais nervosa, tensa e, talvez, em choque do que alguém prestes a fazer bungee jumping pela primeira vez, embora nada tenha dito durante todo o período antes durante e depois do processo, apenas quebrando o silêncio para responder à pergunta feita com um muito ambíguo não-dito e japonês "hun." É pena. Teria sido revelador, embora tenha noção de que, se ela fosse pessoa para desenvolver a coisa, a revelação seria infinitamente menor.
Bem nos avisam de que há diferenças culturais e que essas podem ser estranhas, irritantes e perturbadoras e ao mesmo tempo surpreendentes, belas e oníricas, e que a sua descoberta faz parte da experiência de viver, conhecer e descobrir um outro país ~ deviam era também avisar os que nos recebem do mesmo :)

Impostos, subsidios e ganhos

Dinheiro e economia são daquelas coisas que, hoje em dia, muito se fala, por isso, e também por uma agradável dose de curiosidade, tentei saber, com quem por aqui vive à algum tempo, como é que funciona e que valores de dinheiro há por aqui.
Começando pela saúde, de que ainda sei pouco, o preço de uma consulta é muitíssimo mais caro que em Portugal, visto a ajuda do governo ser muito menos, talvez por uma nefasta influencia Americana. Por exemplo, um parto custa aproximadamente provavelmente cinquenta mil iens, as o governo ajuda com trinta e cindo mil. Isto balanceia-se com a segurança social que, aparentemente, é bastante boa, à boa maneira japonesa. O exemplo que me foi dado foi o de uma mulher divorciada, sem capacidade para trabalhar e com três filhos menores que, por lei, recebe setenta mil iens por filho, num total de duzentos e dez mil iens, quase quatro vezes o ordenado mínimo. O dinheiro para fazer este tipo de coisa vem de impostos que são taxados mediante a necessidade dos bens, muito como no nosso pequeno rectângulo. Dessa maneira, tudo o que se compra é taxado em, pelo menos cinco por cento, com alguns bens considerados extraordinários - tabaco e álcool, por exemplo - a serem taxados com valores muito mais altos. Os salários também raramente são brutos, dependendo do que se ganha e para quem se trabalha à impostos que podem ir até, no máximo, a partir de dezoito mil iens ganhos por ano, até quarenta por cento. Também existem impostos por viveres na cidade, por usares as estradas e potencialidades que ela te oferece, e impostos pelo espaço que a tua casa ocupa que vão crescendo com o número de metros quadrados mediante a sua localização. Por fim, como em tantos outros sítios do mundo (todos?) há impostos de gasolina, que mesmo assim nunca chega aos nossos preços, mantendo-se a menos de um euro, gás, automóveis, etcetc :|
No entanto isso não quer dizer que seja caro viver no Japão, muito pelo contrario. Se não fez mais nada o euro diminuiu muito a diferença entre os dois países (por uma inflação ridícula e uma subida de preços abismal, mas isso é outra história). O ordenado mínimo no Japão é cento e setenta mil iens: três vezes o nosso e, no geral, se não contarmos com as frutas e carne, as coisas não são assim tão caras como a nossa mente colectiva nos diz. Por exemplo, um bento de sushi, de tamanho normal para uma refeição, comprado à hora certa não custa mais de tercentos iens, pouco mais de dois euros. E depois há os arubaitos, os part time jobs, onde facilmente se ganha, em menos de vinte horas de trabalho por semana, oitenta mil iens, mais de vez e meia o nosso ordenado mínimo. Isto quer dizer que, por exemplo, é muitissimo fácil comprar um carro em segunda mão com dois meses de salário, embora este seja, muitas vezes, supérfluo, graças ao fantástico sistema de transportes públicos que existe.
Como diz o outro, é mais fácil viver no Japão do que parece, o grande problema é mesmo a língua :)

Wednesday, 21 October 2009

Boca ai, orelhas aqui

Sabem, quando, de repente e sem estarem à espera se queimam no dedo? Se bem me lembro, em terras lusitanas, o normal é, num movimento fluido e único abanar o dedo e, sem pensar no assunto, coloca-lo na boca na esperança inconsciente de que a saliva (?) melhore a pequena queimadura. Eu pensava que tal comportamento era mais biológico do que outra coisa, mas estar aqui, numa sociedade tão diferente provou-me o contrário. Os japoneses, aquando da mesma situação, reagem - no verdadeiro sentido da palavra reacção - de maneira diferente: metem o dedo no lóbulo da orelha, parte do corpo que, pelo seu destacamento da massa corporal costuma estar mais fria do que o normal.
É muitíssimo engraçado pensar que, algo tão reactivo e pouco pensado seja uma influência social que fomos ganhado e não uma memória muscular passada, de forma mal entendida, pela genética.

:)

Monday, 19 October 2009

Choque cultural (五) Perguntas e Harmonia

Ontem, em Oosaka, além de ter visto as lojas anteriormente citadas, aproveitei a companhia, fala e conhecimentos dos japoneses que nos acompanhavam e fui comprar um cartão de memória e uma bateria nova para a máquina. Isso seria muitíssimo fácil se eu não fosse tão desconfiado e não fizesse tantas perguntas: se o cartão é aceite pelo meu modelo de máquina, se a bateria funcionará, qual a diferença entre BD1 e FD1, o que fazer se ela não funcionar, será que o meu carregar funciona, qual a durabilidade, que alternativas há. E o que foi, talvez de uma perspectiva um bocadinho sádica, engraçado de ver, foi a reticência dos meus anfitriões em chamar, perguntar e chatear os empregados da loja que, por seu lado, pareciam prestabilíssimos e sempre prontos a resolver qualquer dúvida, por mais estranha que esta parecesse, que se lhes colocava. Este tipo de atitude, se bem que estranha, promove uma harmonia gigantesca, onde facilmente, com uma cabeça menos fria e um temperamento mais quente, poderia haver um conflito, como era visível pela quantidade completamente exagerada de sumimasens lançados de um lado para o outro. Além desta atitude ajudar ao comercio, porque muitos japoneses, não aguentando a "vergonha" de ter de perguntar algo - o que implica dar na vistas, o que, na mentalidade japonesa é um no-no muito grande - preferem comprar um item e, depois, ver se ele funciona ou serve o propósito certo, repetindo a compra se tal não acontecer, tal mutuo modo de proceder, entre, neste caso, vendedor e comprador, tão apologético e preocupado com o bem estar, trabalho e, dir-se-ia mesmo, conforto do outro, é um dos pilares em que a sociedade japonesa assenta. Com certeza que haverá outros e que todos eles, incluindo este, terão uma razão e ser ~ eu só espero descortinar todo esse mistério durante o curto espaço de tempo que me encontrarei aqui. XD

Friday, 16 October 2009

A organização da recepção

Mesmo tirando a comida, a recepção foi bastante boa. Isto graças aos inúmeros esforços dos estudantes estrangeiros que, de uma maneira muito japonesa, orquestraram performances de música (tradicional e não só, também se cantou Queen), jogos em que todos participaram, poesia alemã, canções meio melancólicas da Ucrânia, exploração de instrumentos musicais indonésios, um teatro tailandês, canções cantadas por meninas chinesas e - surpresa - até uma espécie de karaoke feito pelo reitor da universidade.

No entanto, o que é (mais) interessante aqui é denotar o quão japonesa era a atmosfera e o próprio evento em si. A organização apenas dava os meios para as coisas acontecerem e os detalhes, performances, planeamentos, eram pensadas, treinadas, feitas e executadas pelos estudantes. Como já verifiquei mais vezes, este é o statu quo por aqui. E funciona brilhantemente. A pró-actividade é posta em acção e é quase emergentemente imposto um dinamismo nos que, de outra forma, apenas assistiriam a tudo. Se a isso juntarem a colectividade japonesa, com os seus inúmeros, e desde tenra idade criados, grupos de isto e aquilo para fazer aquilo e acoloutro, têm uma força anti-inercia gigantesca e inúmeras oportunidades para a criação de laços interpessoais e de, como diria o meu professor de gestão, riqueza. É meio triste pensar que nunca na vida haveria um sucesso fundado por uma participação tão pró-activa em seja o que for desse lado do mundo.

Sunday, 11 October 2009

Miai photo?

O título deste post reflecte um conceito que à muito desapareceu na nossa sociedade: o do casamento arranjado que ainda é muito normal no Japão. Há várias razões para isso e algumas delas serão o papel da mulher na sociedade japonesa, o objectivo do casamento e sua significância, a importância das crianças e a mentalidade sexual japonesa para o homem e mulher. Eu quero falar em cada um destes aspectos mas por agora especulo em algo muito mais simples.
É sabido que nestes arranjos, visto o conhecimento físico não ser feito mas sim, preparado, as fotos dos que se aventuram nisso, tomam uma importância preponderante e heis a minha especulação. A menina, mulher, senhora da foto em baixo estaria ou não a preparar e tirar as ditas que, segundo ouvi falar, custam um balúrdio, são tiradas por um fotografo tradicional e marcam ou têm a possibilidade de marcar e mudar a vida dessa pessoa para sempre?

PS: Foto tirada à calada e com muita lata, o fotografo estava do outro lado da menina o.O