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Sunday, 18 April 2010

I'm alive report

Se é verdade que as sakuras acabaram, não é verdade que a primavera se desfez no tempo. As flores que florescem mais tarde estão, de momento, vaidosas, a mostrar-se ao Japão. Por outro lado, as gentes, estudantes que à alguns longos e curtos meses estão longe de casa, chegam a um ponto critico: é o inicio do semestre e muita coisa parece aparecer e desvanecer-se na rede de emoções e relações e ligações. Inicio do semestre também quer dizer aulas e essas estão mais difíceis: há mais de quarenta kanji para saber por semana, há textos para ler e fazer, há vocabulário para decorar e há gramática para descodificar por entre o japonês rapidíssimo dos professores. O tempo está imprescindível com o sol a dar lugar à chuva e a chuva a dar lugar a nuvens por onde o sol espreita.
As fotos são de ontem, fui a Osaka ver as ditas sakuras mais raras e tardias. O vendedor da segunda estava a verder, entre outras cosias, língua de boi que estava surpreendentemente boa :)

Saturday, 10 April 2010

O hoje prolongado

Suponho que devia dizer o que ando a fazer por estes lados. Estamos no inicio do fim da famosa, pequeníssima, bela e ocupada época das sakuras: as flores rosa, brancas e, até, azuis, abrem num esplendor ferocíssimo e, de seguida, as pétalas caem e nada sobra sem ser o tapete de pétalas no chão. Para os Japoneses é a metáfora perfeita para a efemeridade e o total descontrolo que temos sobre o que acontece numa vida dominada pela natureza e o destino. Sendo assim, o que não faltam é festivais e locais e festas para ir, ver, fotografas e experimentar.
Por outro lado as aulas começaram. Além do seguimento, muito mais difícil, complicado e com um professor on-crack do curso intensivo das manhãs no primeiro semestre, meti-me - e ainda não percebi porque - em aulas da tarde, com professores novos, manias e, mais importantemente, matéria e pessoas novas. E, embora haja aulas em inglês que se adivinham fantásticas, as aulas suplementares cheiram-me a dificuldades tramadas. Além disso, claro, há as normais arrumações que parecem infinitas, a loiça, a roupa, a limpeza, e tudo o mais. Finalmente, claro, o tempo aquece e o que será o Verão apresenta-se por entre as caídas pétalas: há insectos no ar, há lagartos, aranhas e sons que seriam de outros mundos se não fosse o hábito e a capacidade de adaptação.
Alas, indeed in my wonderland ... maybe!

PS: fotos do dia de hoje em Kyoto ~ há muitas mais, mas não há tempo para fazer um selecção a sério ~ uff

Monday, 5 April 2010

Kendo

O Kendo é uma arte marcial e os seus praticantes usam uma espadas de madeira chamada shinai, com que têm de bater no adversário. Como todas as artes marciais é verdadeiramente tramada de apreender com todo o detalhe, mesmo usando a vida toda para isso. Alas, hoje, depois de ter andado e visitado e fotografado o castelo de Osaka e as suas imensas sakuras ouvi pessoal a gritar, com uma selvajaria nunca antes por mim vista no Japão, e o que pareciam ser pedaços de maneira a bater uns contra os outros, como se os relâmpagos viessem de árvores e não das nuvens. Era um espaço de treino para antes marciais onde o pessoal estava a "treinar". Entre aspas porque aqui não parecia nada treinar: parecia que estavam a faiscas de se matarem uns aos outros. As pessoas caiam, davam os as espadas nas cabeças e mãos uns dos outros, gritavam e lançavam-se ao adversário como uma velocidade que os meus olhos cansados mas atentos mal acompanhavam.
O homem no centro da foto, por baixo da bandeira do Japão era o maior! Pela cara enrugada, devia ter uns cinquenta ou sessenta anos, e, pelo que observava, era o sensei dos mais avançados, visto que o pessoal que lutava contra ele devia ter uns trinta ou quarenta anos. Eu não percebia nada e duvido que isso tenha a haver com o facto de não saber as regras. Umas das coisas engraçadas era que, de vez em quando os alunos faziam, três vezes seguidas, uma investida que terminava com uma pancada fortíssima da espada na cabeça do homem - não me atrevo a chamar-lhe velhote - que não ripostava e que, no fim, mandava um grito daqueles que projecta uma aura que não se vê todos os dias.
Se vierem cá, vale a pena ~ os treinos começam todos os dias às quatro da tarde ^^

Sunday, 14 March 2010

Omizutori (お水取り)

最後のお水取りの日。すごく待った後ですごくきれい見栄。

Depois de, há/à (afinal qual é que se usa mesmo???) dois dias atrás ter estado aqui, voltei para o último dia do festival que, aparentemente, demora muito menos tempo. Havia menos pessoas, mas mesmo assim era uma multidão considerável. Fui visitar o templo em si e, dada a vista, imaginei-me a comandar, queimar, afundar e esmagar os que, em baixo esperavam o espectáculo que se seguia. As câmaras dos profissionais estavam prontas. Só restava arranjar um local, estrategicamente colocados para maximizar a vista que achava que ia ter e, claro, esperar ~



* * *


~ esperar, 待, esperar, 待, esperar ~
~ esperar, 待, esperar, 待, esperar ~
~ esperar, 待, esperar, 待, esperar ~
~ esperar, 待, esperar, 待, esperar ~
~ esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar, 待, esperar.

E depois ... uma das coisas mais fantásticas de sempre!




Primeira sakura

A primeira sakura que vi com olhos de ver ~ a primavera oficialmente chegou!

Also, post dedicado à minha irmã de olhinhos azuis ~ eu vejo se tiro mais menina ;)

Parque de Nara

Antes do festival, ando pelo Parque de Nara entre florestas mais ou menos cerradas, olhares de veados mais ou menos inquisidores, árvores mais ou menos floridas e lagos muito japoneses ~ hehe

Língua de veado

Um veado pequenino e a sua mamã no parque de Nara. Se repararem ele tem a língua de fora: nunca a pôs para dentro e estou convencido que é um problema, talvez genético, que ele tem. Como os veados aqui são alimentados e mantidos pela população é normal que a selecção natural não seja tão apertada como seria num ambiente mais selvagem. Alas, suponho que seja kawaii ne :o

Clubes do/no Japão

Para quem vê anime os clubes japoneses não são uma novidade assim tão grande: depois das aulas, da escola primária até à universidade, e às vezes para alem disso, milhões de jovens se dedicam, de corpo e alma, que, não raramente, passa a ser mais importante do que as aulas em si. Os clubes têm um valor social enorme. Por um lado permitem à pessoa encontrar outros que partilhem os seus gostos, coisas na sociedade japonesa rara e que não acontece se não se criar uma situação ou localização para isso. Por outro, faz com que o desenvolvimento físico e slash ou mental da pessoa não seja só focado no que dado nas aulas. Não é normal haver japoneses que sabem tocar guitarra ou koto, que saibam caligrafia a nível profissional, que já tenham praticado algum desporto ou arte marcial, ou que já tenham convivido mais com uma língua estrangeira por que se interessam. Dito isto há clubes de tudo e as suas regras são decididas internamente. Há clubes muitíssimo estritos, em que hà regras para tudo, desde quando se entra até como se cumprimenta as pessoas; e clubes muito mais suaves, em que o convívio é muito mais importante do que o que se faz. No entanto, mesmo assim, é raro o club que não tenha pelo menos um grande feito - uma peça de teatro, um concerto, uma medalha numa qualquer competição - por ano. É claro que também há desvantagens: como já me disseram, o clube tira a liberdade das pessoas. Se se gosta de futebol mas não se quer ou não se pode estar no clube tanto quanto se espera (o que mais se ouve neste tipo de coisas é ganbatte, japonês para esforça-te, que tem significados desde "boa sorte" até "devias estar a trabalhar mais" ), a pressão social e o status quo faz com que se desista em vez de andar lá sem dar cem por cento. E, claro, é muito difícil para os japonesas organizarem-se só porque sim, sem haver um propósito ou uma desculpa para o fazer: um grupo de pessoas encontrar-se uma pontual dia para jogar futebol é estranho, mas o mesmo grupo de pessoas organizar um clube para jogarem já não.
A foto mostra o clube de basebol da escola primária ou segundária de Tenri. Cada elemento está equipado e, agora que as aulas estão acabadas, passará as próximas horas a esforçar-se pelo simples facto de gostar de basebol e, talvez, querer conhecer mais pessoas que também o façam. Jogar só pelo prazer de jogar? Nah ... isso é para as crianças!

Baia de Osaka

Uma zona recreativa que em tudo lembra o espaço da expo98. Tem um museu, que agora tem uma exposição totalmente fantástica, um famoso oceanário, bares restaurante e outras referencias que, por uma ou outra razão nos fazem pensar no mar que se ouve por detrás das paredes da civilização.

Saturday, 13 March 2010

Umeda: enday

Cansado, com um saco muito pesado às costas, vejo muita gente a sair do metro e assumo que é a minha paragem: má ideia! Sai em Umeda em vez de sair em Nanba ~ esta estava em plena hora de ponta, portanto resolvi andar por lá um bocadito. Esta é essencialmente a zona dos prédios grades e coisas importantes de Osaka. Ao virar da esquina estava o edifício da opera e praticamente todas as janelas em vista dão para escritórios que alguma coisa hão-de fazer.
Depois disso ainda sai em Nanba para revisitar algumas localizações e estudar o terreno para futuras visitas. A noite começava a adocicar o ar e as luzes a espalhar o seu contraste, ainda não obliterando as silhuetas negras das arvores ~

Ingurisu

O inglês falado no Japão é lendário. Aqui está mais um exemplo ~ interpretações são bem vindas!

Namba

Três visões na zona de Namba. O local continua cheio de gente, com personagens estranhas, interacções sociais bizarras e penteados que em tudo se tentam afastar do típico japonês ~

Satanic Japan

Esta é das lojas mais awesome que já vi até hoje e assim o é essencialmente por não ser uma loja: é mais um espaço onde se podem vender determinados items. É, admitidamente, uma loja satânica e toda a sua imagética o indica: candelabros e correntes a pender do tecto, teias de aranha por cima dos moveis, bonecos com o toque certo de creepy e desconfortavel, mãos mortas com anéis antigos por cima da mesa, uma música muitíssimo desconfortável que em tudo fazia lembrar esgotos ou castelos ou os esgotos de castelos. Nesse espaço também se vendiam coisas - e aqui se vê como o Japão vê algo tão ocidental como o satanismo - estão a ver aquelas cruzes, pentagramas e símbolos diversos estranhas com motivos que vão desde os olhos de gato egípcios até às cruzes duplas invertidas? Estavam aqui à venda como se fossem antiguidades de culto, únicas e místicas, com poderes que só os mais negros feiticeiros e bruxas conseguiriam extrair, causando a destruição do mundo. Obviamente que tais objectos tem de ser caros e eram mesmo ~ algumas das cosias que eu podia jurar que se compram pelo preço, já assim absurdo, de dez euros num qualquer festival em Portugal, estavam aqui à venda por setenta, oitenta e mais ~
É engraçado ver como a cultura se move de um lado para o outro e como as coisas são modificadas para ficarem confortáveis nas mentes de quem as "sabe", mesmo que isso implique uma totalmente desapropriação do seu significado original. E agora, o que é mesmo interessante é pensar que, se nós, ocidentais encontramos pérolas destas no Japão, que pérolas não encontraram os Japoneses por cá? ;)

BL

Esta foto ilustra um dos fenómenos de maior crescimento no Japão. Toda a gente sabe que os Japoneses devoram manga e que muita dessa manga tem um teor sexual. Para os rapazes e homens e normal a coisa funcionar se houverem duas raparigas e é exactamente para isso que a industria de manga se tem virado nos últimos tempos ... para as meninas.
BL, abreviatura de boys love, é um estilo de manga que coloca dois personagens masculinos numa relação perfeita para as mentes femininas: muito amor, muita perfeição, muita beleza, muitas mãos dadas, muitos olhares à lá Richard Gear, muitos pores do sol, muitas conversas depois da coisa que, quando aquece, também aquece à maneira feminina. Este corredor, como se vê no canto superior esquerdo, é a secção de BL de uma loja de manga relativamente pequenas mas com alguma fama. Toda a infinidade de livros que se vêem têm, em algum ponto, explicito ou implícito, algum a sodomizar outro...
Outra coisa interessante a notar era a quantidade de meninas e mulheres que deambulavam por esta secção: magotes! A única parte da loja em que a presença feminina existia, parecendo-se eclipsar em todas as outras secções ~ talvez não seja estranho, mas é engraçado de constatar XD

Friday, 12 March 2010

Omizutori (part I)

Foi o tempo de chegar ao Japão, ir para Tenri, comer qualquer coisa, avisar quem quer que seja, dormir uma horita ou assim e, ignorando o quarto que já viu muito melhores dias, ir a caminho de Nara para o festival que me fez voltar tão cedo: o Omizutori.
Esse ocorre uma vez por ano por esta altura no Nigatsudo, um subtemplo do complexo de que faz parte o Todai-ji que tem um Buda de quinze metros. Como esperado Nara estava a abarrotar, mesmo caminhado por trilhos secundários (perdidos!) e o local do dito festival estava impossível: hoje é o dia onde há mais tochas. Ou seja, este festival, que afugenta os espíritos maus do inverno, dá sorte e dá as boas vindas à primavera é, essencialmente, um espalhar de cinzas das varandas altas do dito Nigatsudo. Essas, vêem de tochas que são apresentadas, caminhadas, abanadas e, por fim, desfeitas, à vista dos deslumbrados espectadores que, estando em baixo, recebem as cinzas e toda a sorte que elas transmitem. Hoje é o dia em que há mais tochas, em que as tochas são maiores e em que há mais gente e eu ... confesso que fiquei desiludido...
Porquê? Porque as tochas vieram uma a uma, diminuindo em muito o espectáculo visual esperado. A primeira foto é de uma cartaz de apresentação do festival e, raios os parta!, é tirada com a durante uns bons minutos para dar esse efeito. Alem disso, a táctica de por o pessoal a circular: de modo ao máximo número de pessoas puder ver o dito foi posta em prática o que quer dizer que a azafama tirava muito do espiritualismo da cena.
De qualquer modo, graças à companhia e ao facto de se verem japoneses totalmente malucos com o espectáculos e ao parque de Nara ao crepúsculo e à noite ~ valeu a pena! :)

Wednesday, 24 February 2010

Fauna nas estações

[30/10/2009-11:11]

















Algumas imagens da população volátil e sempre em movimento das estações e comboios da zona de Osaka por onde me aventurei hoje. Note-se na menina de cima a saia minúscula e os sapatos mal calçados de modo a serem mais fáceis de tirar ao entrar em edifícios em que tal seja necessário. Note-se o menino de cima cujo eyepatch é igual aos tantas vezes aparecem em animes e afins. Note-se, em baixo, um olhar privilegiado sobre a mente pervert japonesa; a estação vazia combatendo um comboio cheio; e a confraternização rara entre os heróicos funcionários, vestidos a rigor, de estações e comboios que tornam tudo possível.

Monday, 22 February 2010

Hokkaido (07/xx) End day

[07/02/2010-22:51]

Fim do dia. Muito frio, alguma neve. A mochila começa a pesar nas costas e a capa académica é uma aliado importante para o tempo que a noite dá. Espera-se um autocarro, faz-se a ligação para outro e finalmente está-se na estação de comboios. Lá, apanha-se o comboio para a maior cidade de Hokkaido, onde o hotel espera. Se o dia de hoje foi cansativo, o dia de amanhã sê-lo-à mais. Dormita-se na viagem. Chega-se a Sapporo. Encontra-se, depois de várias voltas, o dito hotel. Compra-se o jantar na combini mais próxima e é tempo de dormir.