Sunday, 11 October 2009

Kashihara Jingu e vestidos

Kashihara Jingu é uma templo não tão pequeno atrás da estação de comboios de Kashihara, na cidade de Asuka, na prefeitura de Nara e, visto ser dia de Fesutibaru e Omatsuri (omatsuri quer dizer festival, fesutibaru é festival em japonês… don’t ask!) resolvemos, meio apanhados de surpresa passar por lá.
O local é lindíssimo e embora tenha algumas (muitas) zonas restritas deu para ver algumas paisagens interessantes. O lado coberto de nenúfares com montanhas de carpas enormes, tartarugas sonolentas e corvos malévolos no seu horizonte, é um exemplo. Outro é o mini altar, quase secreto, no meio da floresta, atingível por um caminho coberto por torii; ou a nascente para nos purificarmos, deitando água nas nossas mãos com uma concha e, de seguida, bebendo um pouco dela.
O templo em si é grande, pormenorizado e respeitável e com um frenesim de pessoas nos seus solos como é tão anormal por estes lados. A razão muito pouco óbvia é o dia: é o dia da celebração para crianças de cinco e sete anos; o que quer dizer que há uns quantos pequenos com vestes muito awesome-in-a-japanese-way. Além disso, aparentemente, é um bom dia para casar, pois vimos uns quantos casais de noivos, em vestido de noivado tradicional japonês, que é lindíssimo e, para mim, ainda não tem o estigma social do “casamento”, e os respectivos e tradicionalmente aperaltados convidados, a fazer a sessão fotográfica nos cantos e recantos do sítio.


















Má casa de banho

Aparentemente casas de banho de estação de comboios obscuras são más em todo o mundo. Japão, terra das sanitas que deitam àgua em repuxo para limpar o dito cujo depois do trabalho feito, inclusive.
Alas, quando tem de ser tem de ser ~

Escuteiras???

Na estação aonde, ainda pela manhã, apanharíamos a boleia para Kashihara encontrava-se um grupo de meninas três meninas e um homem e uma mulher, que muito faziam lembrar escuteiras com um chefe de fato. O meu pedido de tirar uma foto fez com que elas me dessem uma pena vermelha que religiosamente guardei e que a senhora fosse buscar mais umas cinco meninas não sei de onde (a palavra minna-san pode ser perigosa). E lá ficou o momento preso dentro da máquina e, agora, imortalizado na internet.

PS: não, este não é o famoso uniforme de escola japonês >_>

Saturday, 10 October 2009

けいたいのちゅうどく

Sendo o diminutivo de けいたいでんわ, que significa telemóvel, けいたいのちゅうどく é um dos novos vícios daqui e, provavelmente, do mundo inteiro. Como diz o meu professor de anime: há pessoas que numa viagem de cento e vinte minutos vêem o telemóvel umas cem trezentas vezes sem nunca o precisarem de o fazer, sem ser pela necessidade viciosa de o fazer.
Para exemplificar, quantas pessoas a mexer no telemóvel é que se vêem na figura que retrata uma viagem de comboio normal no Japão?

PS: título do post traduzido à letra é envenenamento por telemóvel, ou seja, vício em telemóveis :)

Summer Wars

Eu confesso que quando o filme começou, eu tive dúvidas se era mesmo o filme ou uma das apresentações publicitárias mirabolante dos cinemas japoneses. Com uma diferença enorme: a qualidade da imagem era gigantesca. Este filme, alem de ser uma bomba visual, ora não fosse, realizado por Mamoru Hosoda que fez esta preciosidade, é um statement sobre temas tão profundos como relações familiares, respeito pelos mais velhos, consequências das nossas e arrependimentos com uma perspectiva tão pouco usada que já me tinha esquecido dela. Além disso e dentro dessa temática, funde os conceitos de realidade virtual e ligação a outros por meios virtuais com a proximidade intimista de uma família grande. As cenas de pancadaria virtual são lindíssimas e a imaginação usada na criação de Oz é de louvar. Pelo meio há a mais ou menos lógica e previsível história de adolescentes e a menos óbvia e imprevisível história de génios da matemática ou das virtualidades em questão.
Infelizmente para vocês, estando este diamante da animação a sair dos cinemas daqui por esta altura, só daqui a um ou dois anitos é que chega à internet. Quando chegar, recomendo toda a gente a vê-lo e eu a revê-lo: é que isto de ver filmes em japonês sem legendas é mais complicado do que parece.

Friday, 9 October 2009

Azuka Hanamiru

No passado dia vinte de Setembro fui ao distrito de Nara, à cidade de Azuka (a primeira capital do Japão que tenho de visitar mais a fundo um dia destes) ver as flores (hanamiru) que tardiamente apareciam por uma parte dessa cidade totalmente desprovida de urbanismo. Ai também se encontrava uma exposição de kakashi (espantalhos) feitos, pelo que entendi, pelos. Foi fantástico, belíssimo e quase mágico! é surpreendente a quantidade de gente que por lá se encontrava a viajar por fora cá dentro, para ver ... flores.
Ficam as fotos.


Fim do dia

Antigas civilizações

Resolvi ir a uma aula de história totalmente falada em japonês (zenzen wakaranai!) e, tal como me tinham dito, a aula foi passada fora da aula e, desta vez, o professor levou toda a gente, à borla, ao museu de Tenri ver os artefactos dos períodos Jomon, Yayoi e Kofun. As diferenças de tecnológicas e sociais são bastante visiveis mas o que é interessante mesmo é ver como a china estava centenas de anos à frente do Japão nesta altura. As duas imagens tem cavalos, respectivamente, do Japão e da China mais ou menos do mesmo período temporal.

Impressionante não é?

Lição III - Atomic Power: Gojira e Astro Boy

O tufão pode ter sido meio fraquinho mas foi o suficiente para as aulas (e o respectivo teste) terem sido canceladas da parte da manhã. E - uff - não da parte da tarde, o que quer dizer que a terceira aula de anime se expunha perante mim. Nesta aula avançamos para o verdadeiro inicio do anime como o conhecemos hoje e, numa analise social do Japão pós-guerra soltamos entre nós as parecenças, semelhanças e porquês sociais de dois fenómenos japoneses da segunda metade deste século: o Godzilla e o Astro Boy.
Pode-nos não ser assim tão trivial como isso, em particular por causa da distância e da rara reminiscência sobre o assunto, mas o Japão foi completamente trucidado na segunda grande guerra. Bombardeamentos impiedosos (e, há quem possa dizer, merecidos) dos Americanos, como por exemplo, os inúmeros ataque de B-29 em Tokyo e as duas bombas nucleares tiveram um efeito profundo da mentalidade japonesa. O mais gritante sendo o imperador, que na escola primária era dado como um ser divino e pai da raça japonesa que, portanto, era protegida por Deus, disse, publicamente, que não era um deus: imaginem o efeito de engano, confusão, estupefacção, traição e a crise de identidade colectiva que sai de uma mudança de cento e oitenta graus como essa. Além disso, no fim da guerra, além da crise psicológica havia uma crise material enorme, não havendo absolutamente nada, nem mesmo para comer, tal como o Grave of the Fireflies nos conta.
Um dos grandes impulsionadores da economia da altura foi a indústria de brinquedos, usando os desperdícios do Americanos, conseguiam-se fazer brinquedos para a venda à própria América. O “Made in Ocuppied Japan” é uma tag, naquela altura normal, que muitos coleccionadores gostam de ter nas suas colecções. E, mais uma vez, podemos ter a ideia do efeito que tal marca teve na orgulhosa e, até há bem pouco tempo, especial e protegida por um poder divino, mentalidade japonesa. Alas, não muito tempo depois da guerra, do Japão, sai o filme que mais marca a colectividade japonesa do período pós guerra: o Gojira, por nós reconhecido como Godzilla. Ver um monstro, vítima de um acidente nuclear, por causa de uma guerra que nada lhe diz, perdido no meio do caos civilizacional e de um mundo que não entende, é reminiscente do que muitos japoneses pensavam e, mais importantemente, sentiam, naquela altura. E, do outro lado da moeda, a devastação criada por esta entidade era facilmente parallisada com a devastação, sentida na guerra. Eis o porquê da popularidade de um monstro destrutivo numa civilização destruída: por um lado a sua inocência e génese era facilmente reconhecida nesses tempos de traição; por outro, a devastação criada era, também ela, facilmente reconhecida nas paisagens de fogo, outrora verdejantes, vividas à tão pouco tempo.
Paralelamente ao Gojira, agora no meio da manga e, depois, do anime, vem um ser que vem marcar o anime para sempre: o Astro Boy. Este robot simpático, com a aparência de uma criança, que só quer ajudar e salvar os outros e, numa temática que se tornaria famosa depois da industrialização, ser humano sem nunca o poder; também foi trazido à vida com o poder, visto no Japão como em mais nenhum lado, da energia nuclear. E as semelhanças com o Gojira acabam por ai. Lutando por um mundo em que robots, humanos e animais vivam em harmonia representa o sonho de um Japão forte, industrializado e pacífico que estava na mente de todos os que presenciaram os horrores da guerra e viam que o futuro estava em juntar o que é mecânico ao electrónico. Mais do que isso, este robot, que embora tenha os poderes e a potência que só um robot pode ter, também, tal como o Japão, não tem uma identidade definida, com o seu coração humano e o seu corpo de criança que não pode crescer. Como é que ele resolve este problema? Bem, vós tendes de ler a manga, mas creio que não é difícil de adivinhar :)



Tufão: manhã seguinte

Como se diz, depois da tempestade vem a bonança...

Thursday, 8 October 2009

Tufão: desilusão

Passando a uns oitenta quilómetros de Tenri o tão antecipado espectáculo do tufão ficou-se por uma tempestade chuvosa e com algum vento chato mas nada de caótico ou apocalíptico como nos nos foi prometido. Quer dizer, a expectativa estragou tudo: a tempestade foi fantástica mas estava à espera de algo ligeiramente muito mais destrutivo.
De qualquer modo, fica o vídeo de um especial de TV que mostra o que aconteceria se Tokyo fosse atingido por um tufão ENORME (lol @ 5:17 e 5:55); e as fotos da noite.

Tufão: espectativa

Confirma-se que passa por Tenri o tufão que está a fazer as delícias dos media por aqui. Está a subir pelo Japão e espera-se que viole a cidade por volta das três da manhã >:D Agora há ventos e chuva mas nada de grave ou anormal: afinal, a tarde ainda nem acabou de morrer.
Eu, entretanto já me decidi: vou mesmo acordar ou ficar acordado para ver esta maravilha da natureza a destruir tudo à sua passagem. E claro, se o cuidado for varrido da minha cabeça pelos ventos ciclónicos sou capaz de ir dar um passeio à chuva e tentar desviar-me das telhas, vasos e árvores arrancadas dos respectivos locais ^^,

PS: espero mesmo que amanhã não haja aulas, se não o teste vai correr muitíssimo mal.

Nona lição

Que coisa tão caótica ... em breves três horas demos os nomes dos dias da semana, os nomes dos dias do mês, os meses, o anteontem ontem hoje amanhã depois de amanhã, o semana passada esta semana para a semana, e a mesma coisa para os meses e anos. E ainda acabamos de ver os kanjis dos números e as horas. Tudo isto, como se lembra toda a gente que apreendeu alguma língua, recheado de excepções que não fazem sentido e ninguém sabe explicar mas é, simplesmente, assim.
uff ~ e amanhã há teste geral da lição um à sete ;_;

Wednesday, 7 October 2009

Talvez... um tufão

Há vários posts no forno para serem servidos antes deste, mediante a linha temporal que os cria, mas por necessidades que se tornaram aparentes, resolvi, provisoriamente, colocar aqui este agora.
Eu não percebo nada das noticias, não vejo TV e não ouço rádio, mas aparentemente há um tufão mais ou menos grande (nível cinco) no Japão e aproxima-se da minha presente localização. Esta manhã estava em Okinawa e com cada vez menos probabilidade de se desviar para o pacifico. Pensa-se que atingirá a zona de Nara, onde Tenri se encontra, por volta das quatro da manhã de hoje. Temos a recomendação de não deixar nada lá fora, fechar todas as janelas e não sair durante a noite, com o risco de sermos atingidos com detritos, telhas, baldes (?) e vasos. A Universidade pode vir a ser fechada mediante o estado das coisas pelas oito da manhã. As coisas devem suavisar pelo fim da manhã, dado que, por volta do meio dia, dizem as previsões,o dito estará pela zona de Tokyo.
E agora a pergunta óbvia: se tivessem a oportunidade de ver, experimentar e sentir de perto num tufão com um tamanho respeitavel descarta-la-iam ficando em casa, como vos foi "recomendado"?


Time here: 15:14

Kanji (一)  前

Hoje continuamos, durante as três horas de massacre pela manhã, a lição oito, que corresponde à terceira lição de kanji (dados, diga-se já, mal e porcamente) e foi exactamente onde tive a primeira revelação sobre o importante múltiplo significado dos símbolos e a importância secundária da palavra na língua japonesa.

Explicando, e aviso já que isto pode ser secante para os que não têm interesse nestas coisas, a situação/revelação. O kanji mae () significa, ou melhor, pode significar “à frente”. Ou seja, para dizer que, por exemplo, algo está à frente do portão, usa-se esse kanji embebido na respectiva construção frásica.

車は門の にあります。(sim showoff, eu sei eu sei…)
Kuruma wa mon no mae ni arimasu
Um carro à frente do portão está. (tradução literal)
Está um carro à frente do portão.

Até ai tudo bem. Mas mae () também pode querer dizer o que facilmente se traduziria por “antes” (ou por “falta”) quando usado numa expressão relacionada com tempo. Por exemplo, e tentando seguir a tradução da palavra mae com itálico, para dizer as horas temos o seguinte:

今は九時五分 です。
Ima wa ku ji go fun mae desu.
Agora são nove horas e dez minutes antes. (tradução literal)
Agora faltam dez minutos para as nove.

Infelizmente na tradução correcta toda a semelhança entre o significado de mae nas duas frases apresentadas se perde, mas é fácil (ou não :) ver a lógica por detrás do uso em duas situações tão diferentes o mesmo elemento simbólico. É que tal como o carro está à frente do portão, também as horas que dissemos (nove horas) estão à frente, no futuro, em relação ao tempo presente. Mais exactamente, as nove horas estão dez minutos “à frente” no tempo, em relação à hora (às horas) que agora é: oito e cinquenta. E, como toda a gente sabe, dez para as nove representa o mesmo instante temporal que oito e cinquenta.

Além do mais, mae (), este forte objecto simbólico tem mais usos, por exemplo, para dizer que uma dada figura está numa página anterior de um livro e, aparentemente, para representar localizações temporais passadas num passado definido, como por exemplo "à dois anos" ou "à nove meses"... suponho eu, pois isso será de uma lição futura, pela mesma lógica usada nas horas.

Awesome stuff não é?

Cookies

As bolachas japonesas, ou pelo menos as bolachas que vêem do exterior para o Japão, são estranhas. Não pelo sabor, que até é surpreendentemente bom, nem pelo preço que só é sustentável em dias de promoção, mas sim pela embalagem. É que em vez de virem dentro da caixa, como todas ou quase todas as bolachas por ai, vêm dentro de mini embalagens, muitas vezes, como neste caso, com uma só bolacha, e essas sim vêm dentro da embalagem. Imediatamente vem o pensamento de um bento todo arranjadinho com uma única bolacha escondida em plástico como sobremesa ~ sad sad ~
Alas, as bolachas são boas e é engraçado pensar que todos os japoneses lêem os katakanas na embalagem em vez do romangi que todos nós lemos.

Tuesday, 6 October 2009

Passado e o imperador

Estava a ler o artigo para a aula de amanhã de História do Japão (mais sobre isso, talvez, um dia destes) sobre os três períodos - Jōmon, Yayoi e Kofun - pós-paleolíticos da história do Japão quando leio que "está na constituição japonesa que o imperador é o símbolo da integração da nação". Que ideia tão boa para manter as mentes imperialistas do Japão mais ou menos tranquilas, afinal ainda têm um imperador, este ainda tem um poder simbólico enorme e toda a situação ainda tem uma, chamamos-lhe assim, nostalgia social muito grande. Afinal, o imperador é um descendente divino, que faz parte da maior dinastia do mundo, que lidera o povo do Japão para o seu futuro glorioso, não é? :)
Seja como for, recomendo muito, particularmente para quem gosta destas coisas, reminiscentes da escola primária, de história a darem uma vista de olhos pelos artigos da Wikipédia sobre esses períodos. Afinal, é deles que advém muita da cultura, tradição e referencias de tantas coisas que, hoje em dia, dizemos e sabemos japonesas.

Visões Sureais II

O Miguel, desta vez com as suas novas botas de biqueira de aço, a andar de bicicleta no escuro de uma noite de Outono, sobre uma lua cheia coberta por nuvens cinzentas e opressivas que fustigavam com água incessante os passeios desertos da cidade, e com o casaco até aos pés apertado nos últimos dois botões de modo a cobrir as pernas que se esforçavam para atingir o local de venda de ramen instantâneo mais próximo.
Suponho que só no Japão ~ ^^

Sim, eles existem ...

... exclusivamente na zona de Kyoto, como diz o sinal a dourado no canto superior direito da caixa.
E são tããããõoo bons!!

Simpatia Japonesa?

O porquê do ponto de interrogação advém de pensamentos negro que, em boa verdade, (ainda x) não tem razão de existirem, mas até onde é que o dever social ou empresarial está em sintonia com os nossos desejos, ambições e, claro está, simpatias?
De qualquer modo, acabou de acontecer agora mesmo. Tive de ir aos correios à alguns poucos minutos e, estando cansado do dia de aulas sai de lá sem levar a factura e o troco. Passado pouquíssimo tempo o senhor que me tinha atendido aparece a pedir educadamente desculpa e começa a falar japonês num discurso do qual eu só entendo a palavra porutogaru. Depois é que vejo que ele tem um saquinho de moedas e uma factura na mão e só ai é que ligo as peças: ele está aqui para me dar aquilo de que me esqueci e apanhou a minha morada pela carta que lá deixei. HOLLY HELL! Quer dizer … alguma vez isto aconteceria em algum lugar do mundo? E ainda por cima ainda me pediu desculpa pelo incómodo de aparecer por aqui sem avisar O.o
É como disse, até que ponto vai a simpatia japonesa ou o que parece ser uma simpatia demasiado simpática? Quando a esmola é muita o santo e desconfia…

Monday, 5 October 2009

Winter comming

A pouco menos ou mais de um mês do último, agora, exactamente às duas e trinta e um do dia cinco de Outubro de dois mil e nove, acabo de voltar (sim sim, bicicleta e chinelos incluídos ~) de um passeio à lua cheia, essa rainha nunca ofuscada, mesmo por véus nipónicos. E uma coisa, além da tranquilidade, beleza e memória, ficou deste encontro de espíritos: o inverno está a chegar. O belo inverno gélido, ventoso, desagradável, doentio, macabro, assustador, coberto de neve e nevoeiro e pesadelos, está a chegar.

TV bizarra









É conhecimento comum que a televisão é detestável, horrível e uma total perda de tempo e de neurónios em toda a Terra. O que não quer dizer que a TV japonesa não tenha algo para oferecer a todos aqueles que querem apreender a língua e que, logicamente, beneficiam de tal verborreia constante. No entanto, além disso, o sentimento de bizarro, estranho, incompreensível e totalmente novo que tenho ao ver a TV aqui quase - quase! - compensa o tempo gasto. Estas imagens estarão a passar na TV daqui a três dias, em dois canais diferentes, aproximadamente à hora deste post.
Tão ... lolwut!

Saturday, 3 October 2009

私の誕生日!

Fora o facto, absolutamente desprezável, de não estar habituado a festas minhas, foi absolutamente memorável. Houve bolos brigadeiros e baba de camelo, feitos pelas meninas mais simpáticas deste lado do mundo. Houve um jantar enorme num rodízio de sushi, em que se comeu lulas cruas e outros vinte e picos pedaços de arroz com peixe cru. Houve presentes e, principalmente, houve pessoas que, embora me conheçam à muito pouco tempo, tiveram paciência para me aturar durante sabe-se lá quantas horas, antes, durante e depois do dito jantar.
A minha politica não me permite colocar fotos personalizadas na internet, tal como não permite tirar dois pratos de sushi da passadeira rolante de onde, permanentemente, vêem vindo tais delicatessens, portanto, deixo-vos só com as fotos mais impessoais ... quem quiser as outras que, aparentemente estão bastante bem, diga-me quando me encontrar ou algo do género XD

On a related note, se repararem não há bem um "bolo de aniversário", pois aqui no Japão isso não existe! Pois é, tal símbolo de festa, mas também de idade, da passagem do tempo e do retorno forçado (e falso) à infancia não existe, o que, na minha opinião e para a minha mente, é algo muito mais tranquilo, real e fácilmente desfrutavel.


Aprender Português

Neste dia, uma das melhores prendas que tive foi uma conversa sobre a língua japonesa com alguém que é verdadeiramente letrado no assunto e agora, aqui, vou expor algumas das ideias que flutuaram nessa conversa.
A primeira é que a língua japonesa é, ao contrário das línguas mais comuns na Europa, uma língua que, de modo a fazer formas gramaticais, não muda, aglutina. Isto é, a frase mais básica – uma declaração no presente sem condicionantes ou outras complicações que não conseguiria explicar – é sempre a fundação para construir qualquer edifício semântico e a sintaxe que lhe vai definir a arquitectura é apenas aglutinada no fim dessa forma base, usando para isso as modificações e adições ao verbo, que se encontra sempre no fim da frase. Isto tem vários problemas, em particular para o entendimento de quem estuda japonês e para quem trabalha no desmantelamento desta língua noutra. Para já, em termos de fluxo (e) de significado, se para dizer “Não quero comer” ou “Eu comi” se tem de dizer “Quero comer não” ou “Quero comer passado” (tradução bacoca) é muito mais difícil apanhar o significado da frase a meio, visto que o verbo e o que verdadeiramente define a frase (não e passado) está no fim. O exemplo é simples mas se tentarmos com “A casa do senhor Tanaka fui” e “A casa do senhor Tanaka fica à frente da estação” vemos que a meio da frase ainda não se sabe do que se fala. Agora imaginem o que é, para um tradutor, traduzir japonês em tempo real: basicamente tem de se esperar que acabe a frase e, quando finalmente a traduzimos, estar atento ao que se está a dizer para podermos traduzir de seguida a próxima ~ complicated stuff! Além disso, e talvez por esta razão, há formas muitíssimo intrincadas para dizer coisas que nos parecem simples. A minha preferida é de longe (talvez por desconhecimento das outras :) o ~nakereba narimasen. Este gigante linguístico liga-se ao fim de um verbo que, como já foi dito, está no fim da frase, para dizer que se tem uma obrigatoriedade em fazer o que o verbo manda. É como o nosso “Tens de fazer-comer-jogar-estudar-rir-vestir-etc”. A sua construção é complicada e, para nós, pouco lógica: primeiro o ‘na’ coloca o verbo usado na negativa (não comer, não estudar, não etc); de seguida o ‘kereba’ é a uma transformação do sufixo “eba”, que simboliza uma condição (se não comer, se não estudar, se não etc); e, por fim, o ‘narimasen' é a forma negativa formal do verbo naru que significa, à falta de melhor, “funcionar, dar, tornar” (ou algo do género), o que resulta em “se não comer não funciona”, ou seja, tem de comer. O que é engraçado é que as duplas negativas (normalmente representadas pelo nai) não param por aqui: é linguisticamente legal dizer “ikanai kerebanaranai kamushirei” :)
E com isto chegamos ao segundo ponto que queria salientar, quão difícil é para um japonês entender que, na língua portuguesa uma dupla negativa é uma negativa mais forte e não uma positiva. Para eles que tem uma língua que, pelo menos neste aspecto, é muito mais matemática, é tremendamente confuso o (português do brasil) exemplo, “não faço de jeito nenhum”. E a mesma coisa para o diálogo “Está servido? Não, obrigada.”, pois começa com uma pergunta cuja resposta negativa e respectivo agradecimento espera uma acção positiva.
Para finalizar, só para verem que o português que tenta apreender Japonês está melhor que japonês que tenta apreender Português: já imaginaram como é, para falantes de uma língua que não tem futuro, não tem vários tipos de passado, e não tem plurais, apreender a conjugar os verbos portugueses? ^_^

Friday, 2 October 2009

Anime: lição II - manga history


E, na segunda aula de anime, falou-se de manga. Isto porque, como toda a gente, sabe a sinergia entre os dois e a dependência do anime à manga é bastante grande. Tendo como base este texto falamos das primeiras coisas que podem ser consideradas mangas e que apareceram em templos antigos há mais de novecentos anos, em particular o choju giga (animal scrolls) pelo Monge Toba que, com sorte, irei ver durante a minha estadia por aqui, e os jigoku zoshi (hell scrolls) usados por monges na aurora dos grandes movimentos religiosos no Japão para mostrar às populações não instruídas das aldeias o que lhes aconteceria se não se "portassem bem". É engraçado que o primeiro trabalho que pode ser considerado um slasher tenha uma índole e uma presença religiosa tão forte :) Passamos, depois, pelo século doze, na era Kamakura, em que se usava, pela primeira vez, texto e imagens para estabelecer uma narrativa coesa.

A história seguiu para as pinturas usadas para abrir a mente dos estudantes zen (sabiam que, em zen, a resposta para “Qual é o som de uma mão a bater?” é descalçar uma meia, coloca-la na cabeça e sair da sala?) e para shunga, no período Edo, que era o que neste período - de mil e seiscentos a mil oitocentos e sessenta e oito - se usava como pornografia no Japão (agora, ironicamente proibida neste país, por causa de influencias estrangeiras, sendo que apenas se pode ter acesso a estas obras, precisamente, no estrangeiro :s)
Por estes lados temporais surgiam também as primeiras novelas – visuais e não só - imprimidas em cartões de madeira e direccionadas para a população recentemente educada pelas revoluções educacionais desta era. O processo de impressão era engenhoso, em particular com o uso de cor: cada cor era desenhada na madeira como se o desenho estivesse a ser visto por um espelho e depois decalcado em papel; e claro que cada cor tinha de ter o seu pedaço de madeira, sendo o sincronismo espacial entre os pedaços da maior importância e dificuldade de modo a representar uma imagem mais ou menos complexa. Também por este processo de produção em massa se faziam os ukiyo-e, ou “imagens do mundo flutuante”, de onde sai imagem a super-conhecida imagem que acompanha este post, usadas para divertir, maravilhar, enfeitar e também para dar uma certa atmosfera aos red-light districts - sitios de diversão e não exactamente (só) de prostituição - da altura. E aqui abro uns parênteses com uma curiosidade, não sei se o nome depois foi transferido para a Europa, mas o nome de red-light, pelo menos por aqui, tem duas origens. Primeiro como é visto e revisto e referenciado numa multitude de locais que os mostram, as luzes destes sítios estavam cobertas com coberturas de papel circular vermelho; e, por outro lado, nos mapas das cidades estas zonas eram as únicas que estavam marcadas com tinta vermelha, numa espécie de mensagem não escrita para toda a gente que já a sabia XD

Entrando no período Meiji, nome facilmente reconhecivel pela sua recorência no mais do que famoso Samurai X, as influências do ocidente começaram-se a sentir em todo o lado, incluindo no meio que viria a ser manga como a conhecemos hoje. Foi por aqui que se começou a fazer os primeiros “quadradinhos” no Japão, influencia pelo que se fazia na altura nos Estados Unidos. Em particular os senhores Charles Wirgman e George Bigot lançaram revistas/suplementos de comics japoneses, que mais tarde se viriam a tornar as referências históricas da manga. Maioritariamente com humorísticas, estas revistas pegavam no dia-a-dia japonês depois da abertura do Japão ao mundo, por exemplo o tirar os sapatos aquando de entrar num comboio, samurais de casaco e chapéu ou os olhos maravilhados com a primeira bicicleta, e foi por esta zona que se começou a usar balões para representar quem diz o quê.
Os kamishibai, contadores itinerantes de histórias para crianças usando papeis pintados com imagens que iam sendo mostrados num mini-palco de teatro montado na traseira da sua bicicleta, atingiram o seu pico nesta época, tendo sido praticamente dizimados com a chegada da guerra e, mais tarde e mais gravemente, em mil novecentos e cinquenta e três, da televisão.
Durante a segunda grande guerra, manga reduziu-se a ela mesma a um veículo de propaganda, tal como se passava com outros meios de expressão em todos os sítios do globo. Visões caricaturadas de Roosevelt a parecer Mr Hyde e de Churchill como um elefante gordo eram, aparentemente, o prato do dia.

Por fim, a manga foi revolucionada, evoluida e cinematograficada pelo génio Osamu Tezuka, considerado por todos o pai da manga moderna, que introduzio praticamente todos os traços - efeitos sonoros, efeitos visuais, diferentes prespectivas visuais sobre o mesmo acontecimento, tridimencionalidade de desenho e profundidade das personagens e da acção - que hoje conhecemos por serem de manga. E, pouco depois disso, a par da evolução técnológica que marcou o Japão pós-guerra, foi feito um anime, meio de transmição, hoje em dia, muito mais popular que manga, acredito eu, por preguiça das mentes humanas, serializado na TV, da sua maior obra: o Astro Boy, do qual vimos o primeiro episódio. Mas isso, isso será uma outra história!

Awesome class is awesome!

Okashi wa amai nai

Alguém me perguntou como é que eram os bolos no Japão e, como sou um tipo simpático, resolvi dar aqui os meus cinquenta iens sobre isso. Os japoneses gostam de comer com os olhos e às vezes quase parece que é preferível ter bom aspecto do que saber bem. Os doces japoneses que provei eram todos tão infinitamente inferiores em sabor, confecção, diversidade que se denota mesmo que estou do outro lado do mundo. Alias, nenhum deles é muito doce, o que se vê bem até na língua: a palavra japonesa para doces (okashi) não tem nada haver com a palavra japonesa para doce (amai), nem sequer têm nenhum kanji em comum. Por outro lado, todos tem muito bom aspecto, particularmente os que estão em exposição nas lojas ~ há quem não saiba o que é bom!

PS: Titulo do post ~~ "doces não são doces" :)

PPS: Chagaram-me a cabeça para dizer que os doces da foto não são os tradicionalmente japoneses. São sim os doces ocidentais, vindos da America ou da Eupopa, adaptados ao estilo visual japones. (just for details sake)

Pela minha vizinhança

O dia de hoje foi complicado, portanto decidi ir passear pela vizinhança da minha casa. Um ribeiro, pontes, uma garça debaixo de uma delas, uma aranha a devorar a sua refeição, árvores, estátuas e o céu foram alguns dos tesouros encontrados. Ficam as votos para vosso deleite ~ todas elas tiradas a menos de duzentos metro da casa onde estou a viver. :)


Câmara municipal

Fui à câmara municipal, que fica mesmo do outro lado da rua e já tenho o meu cartão de cidadão ~valido até daqui a um ano e picos. O pessoal de lá é muitíssimo simpático, mesmo confrontado com o meu quase inexistente japonês e, embora não pareça super organizado: não demorei mais de cinco minutos por lá ^.^

Cheirar as ... flores

Passo por ai todos os dias de bicicleta para ir para as aulas; e há muitas vezes em que não se repara nestas preciosidades mas, de vez em quando, é bom parar para cheirar as rosas... ou flores vermelhas que crescem no Japão.

Outubro começa ...

.. com uma prato de something-don (tudo o quer termina em don - - é um prato de qualquer coisa numa tigela com arroz por baixo: o kanji simboliza a tigela ou tigela de comida). Este something parece ser carne... já não sei, mas era bom :D

Teste de ouvido

Nove da manhã e já estava tudo preparado. Os senhores responsáveis pela parte técnica estavam apostos e no terreno - wow né? - a dar a assistência necessária; a professora repete os avisos que já tinha dado no passado e tenta-se ajeitar com a técnologia e; depois de alguma espera meio nervosa, começamos o teste. No computador, o grafico sonoro azul ia passando à medida que os exercicios no eram ditados pelos auscutadores e, aquando de uma resposta nossa, um mesmo gráfico, desta vez vermelho, era construido. Muitas perguntas, algumas armadilhas, alguns esquecimentos, algum stress e muita dor de cabeça lá para o fim. Estar permanentemente atento ao que se ouve não é uma habilidade que treinemos muito de onde venho e decifrar um "dono" ou um "doko" no meio de uma frase dita em japonês é mais difícil do que parece.

Depois do dito, cuja minha nota não foi nada de mais, continuamos a aula que, sem surpresa, nos liquidificou a massa cerebral numa sopa glauca, pela velocidade do que nos faziam ouvir e pela aceleração do que nos obrigavam a repetir e responder. Que nem uma tortura, no final, havia quem chorasse de desespero, de ansiedade, de tristeza, mas principalmente, pela impossibilidade de escapatória. Talvez, quem sabe, este semestre haja quem volte ao seu país mais cedo do que o previsto.

Thursday, 1 October 2009

Peixe cozido

Sendo o Japão uma ilha não é preciso pensar muito para chegar à conclusão que este pessoal deve comer muito peixe. Isso denota-se muito bem pelos pratos de sushi e sashimi e tenpura, mas também é indicado nos supermercados onde uma variedade bastante grande de peixe se vende. Resolvi experimentar dois, cozidos à maneira portuguesa, e ficaram os dois fantásticos. Nenhum deles é conhecido por ai. Um – o da foto, cujo nome, escrito em kanji, foi já foi para o lixo – era algo parecido com pescada mas mais gordo e muito mais aveludado. O outro, cuja foto não chegou a ser tirada, tem o nome de cauda amarela ou Japanese amberjack, foi pescado na província de Kumamoto, no Sul do Japão (é estranho mas eles metem em muito detalhe onde foi o peixe pescado, criado, nascido, etc.) e é das melhores coisas que já provei vindas do mar. Aparentemente também é usado em sushi, embora nunca tenha reparado em tal facto. Tem um sabor que está entre o bacalhau não salgado e o salmão, e se lhe adicionarem puré de batata e cenoura, couves, um ovito e muito azeite, tem uma refeição luso-nipónica fantástica!

Preparação para o teste

Depois de ontem ter apanhado a primeira molha ao ir para a escola, isto porque a chuva começou a cair exactamente quando estava a montar na bicicleta. Hoje fiz a preparação/treino para o teste de amanha. O teste é de ouvir o que basicamente quer dizer temos um computador à frente com uns auscultadores e um microfone e mediante o exercício temos repetir ou responder, em japonês, o que quer que eles perguntem.
Suponho que os exercícios sejam muito parecidos com os que, tão exaustivamente, damos nas aulas. Vamos ver ... o dia de amanha o dirá!


PS: A senhora ao fundo é a minha sensei principal, a Iwaki sensei. Nem sei o que diga dela, parece uma parede inviolável de politicamente correcto, ensino rápido e eficiente, mas nada mais ~ japoneses, I guess!

PPS: Foto tirada clandestinamente, como manda a tradição!