Tuesday, 13 October 2009

Um dia em Nara


Nara, a cidade que dá nome à região onde me encontro, é, possivelmente, a cidade mais bonita da zona. Transpira natureza, muito devido ao seu enorme parque slash bosque slash floresta em que caminham, livremente, mais veados do que a vista pode ver e o cérebro pode contar. Pelo natural verde existem templos e estruturas dedicadas aos Deuses, aos antepassados, e ao que é “naturalmente” sagrado. Os templos são umas contastante: o famoso Todai-ji, com o maior Buda do mundo, com os seus olhos de um metro e a sua altura, sentada num nenúfar, de quinze metros, repousa tranquilamente. Noutro, o Kofuku-ji, lembra a estrutura de cinco andares reminiscente de um jogo à muito muitas vezes jogado. E ainda, um que dá vista para um pôr do sol imergente.

Terminada a caminhada pela rua principal e muito perto do lago que a finda e do largo onde o templo com um dos mais famosos pagodes de cinco andares do Japão - Kofuku-ji - assenta, vimos um espectáculo não incomum de estátuas pequenas com uma espécie de babetes. Aparentemente uma prática para os deuses protegerem as crianças que morreram sem terem nascido: só eu é que acho isso muitíssimo macabro?
Chegados ao referido templo, em que, infelizmente, não tivemos tempo para entrar a atmosfera festiva já palpitava e, mais do que isso, a impressionante torre de um estilo que muito dificilmente associaríamos a outro país (talvez a china ~) e ainda mais dificilmente não associamos ao magnifico FFVII. É impressionante quão parecida este pagode é com a torre em Wutai.


* * *

A quantidade de pessoas acusava o feriado nacional em que nos decidimos aventurar por esta magnifica cidade, nele, talvez de modo não correlacionado, o festival de cortar-os-chifres-aos-veados estava a decorrer. O porque é simples: se deixamos os chifres crescer torna-se incomportável ter mil e duzentos veados a caminhar livres pela cidade e além disso, não lhes faz mal e diminui-lhes a violência. É pena que tire um bocadinho da presença dos animais mas nada feito. De qualquer modo, para esse dia, por ser feriado, ou por outra qualquer razão, montanhas de pessoas e, em particular, estudantes pré-universidade, com as suas famosas vestes, se encontravam de visita, naquilo que se poderia facilmente considerar um festival de uniformes a correrem de um lado para o outro.


Não pudemos deixar de entrar em Todai-ji embora essa história fique para depois. Finalmente, depois de um tempo que talvez tenha sido de mais, o dia terminou com um passeio pela floresta, onde o sol baixo tornava o chão em ouro, onde havia templos e altares em toda a parte e um pôr-do-sol belíssimo e, por alguma estranha razão, quase nostálgico, nas varandas de um templo, cujo nome já foi esquecido ou talvez nunca tenha sido dito à minha pessoa, com vista para a cidade e sem bateria na máquina. Definitivamente tenho de comprar uma nova ^_^


Cabelo Japonês

Tendo eu o cabelo relativamente maior que a maioria das pessoas que mo chama de grande (lol) e querendo-o ter, por uma questão de, acho eu, gosto pessoal, o mais liso e direitinho possível, de modo a criar o efeito cascata de platinada negra, não é espanto que ache o cabelo japonês uma coisa vinda dos céus. Já me apercebi que não é bem assim: Deus nunca dá nada de borla mas, por enquanto, partilho com vocês um dos melhores exemplares que já presenciei por aqui. Digam lá se não é a coisa mais bonita (hiperbole blábláetcetc) que já viram? XD

Mesa pequena, almoço grande

Japão. Nara. Rua principal. Restaurante minúsculo. Senhora que manda na coisa berra assustadoramente e de forma totalmente não japonesa de três em três minutos. A mesa é ainda ainda mais pequena que o restaurante. A comida é totalmente deliciosa. O meu prato é uma mistura de verdura, rebentos de soja e fígado que estava divinal, acompanhado com gyoza e arroz que, ocasionalmente, se banhava em molho de soja. A água, geladíssima, como de costume, foi oferecida. E tuo junto, não ficou a mais de cinco ou seis euros. ^_^

Game Center

Foi a primeira (segunda na verdade) vez que senti na pele que o Japão tem algo de muito doente. Em Nara, por o primeiro andar ter um aspecto mais ou menos inocente, com máquinas que lembram as que, pela minha infância, povoavam alguns dos caminhos onde, vagamente, me lembro de ir com o meu avô, entrei casualmente num game center e a coisa é chocante. É como um casino em pequena escala, sem janelas e sem qualquer contacto com o exterior. Muitas luzes, sons e explosões visuais que nos cegam. Os transeuntes que, paradoxalmente, parecem, neste espaço, passar pela vida e não pelo jogo, são como cadáveres vivos sem qualquer reacção a nada senão o jogo, ecrã, máquina, som, alavanca ou aparelho que se encontra à sua frente.
A última foto retracta a situação que mais me chocou: ela não devia ser muito mais velha que a minha irmã ~ talking about lost childhood...

Na rua de Nara


Hoje foi a vez de Nara receber a minha senhoria. É claro que o ponto forte foi, claramente, o parque com os seus mil e picos veados a caminharem por lá, mas a seu tempo. Mas, por agora, fica a crónica do caminho percorrido antes de lá chegar: que é apenas uma enorme (mesmo) avenida pedonal. Lojas slash casinos recheados de pachincos; um cinema onde talvez vá ver uma preciosidade daqui a uns tempos; estátuas contemporâneas; flores comidas pelo Outono que já se faz sentir; templos pequeninos entre as casas; lojas em que se faz, à maneira antiga (ou quase), doces japoneses; corvos enormes chateados com o seu reflexo; árvores de folhas vermelhas e um lago gigantesco onde repousam molemente enormes tartarugas juntamente com as já indispensáveis carpas, foram algumas das visões tidas por lá. Ficam algumas fotos e um vídeo ^^,



PS: é pena que o vídeo não continue, pouco depois o ritmo dos homens ficou muitíssimo mais acelerado ~ por sorte, ou talvez não, nenhum deles perdeu uma mão XD


Monday, 12 October 2009

Popping



Hoje mandaram-me isto. Aparentemente também existe nos USA mas, como em quase tudo o Japão bate a América aos pontapés. Evolution of Michael Jackson I guess ... fica na lista das coisas-a-ver-com-muito-pouca-probabilidade quando for a Tokyo.

PS: Popping é diferente de Pooping! ;)

Okonomiyaki

O nome, de forma muito pouco japonesa, com demasiada ostentação, significa "algo que vais gostar". No fundo é uma espécie de panqueca com vegetais e outros ingredientes que podem ir desde camarão e queijo até carne e vegetais. É feito numa grelha e, nos restaurantes mais refinados, preparado a nossa frente. O segredo, esse, está, claramente no molho que é completamente delicioso e encaixa como poucas luvas o fazem na dita mistela.
Mais uma das comidas altamente recomendadas para todos os que vierem ao Japão ^^,


Oosaka's Umeda

Saídos do evento da manhã e em Oosaka aproveitamos para conhecer uma das partes da cidade e a escolha foi o muito processemos distrito de Umeda. Da estação nem foi preciso sair para a luz do sol, lua ou nuvens para ver o que esse local nos reserva. Lojas, pessoas, mais lojas, mais pessoas. Embora Umeda seja um distrito, a enorme estação de metro liga-se com uma espécie de centro formigueiro gigantesco onde se encontra de tudo. Lojas de todas as marcas de roupa, sapatos, acessórios e mais alguma coisa; cabeleireiros e outras lojas especializadas em beleza; restaurantes de comias tradicionais e estrangeiras; e dezenas de encruzilhadas cada uma com o seu destino. Pode-se subir aos mais altos andares dos depatos (os El Corte Inglés cá do sítio), onde se pode comprar virtualmente qualquer coisa, ou descer às estações mais enterradas sem nunca se ver o céu, como se estivéssemos, muito literalmente, noutro mundo, constituído inteiramente por pessoas a caminhar para o nada, lojas coloridas chamando futilmente todos os que passam, cartazes vendendo sonhos impossíveis e betão pintado mediante a moda passageira. Certo, não será assim tão mau e, provavelmente, seria esperado que uma cidade com dois milhões e meio de pessoas, mas mesmo assim a alienação do espaço é algo de se experimentar.

Num dos depatos uma das meninas queria comprar um dicionário electrónico e, portanto, tivemos um tempo dentro de um desses colossos. Há mesmo de tudo por lá! Desde toda a panóplia tecnológica de máquinas, portáteis, câmaras e acessórios numa escala assustadora; jogos à venda e para serem experimentados por todos os que conseguissem chegar lá primeiro, coisa difícil pois o miúdo que lá estava nunca mais perdia; DVDs de filmes, series e OVAs de anime e filmes conhecidos por nós com capas e títulos japonizados; figuras (muitas!) que só se arranjam em Portugal em lojas especializadas (embora os preços não fossem tão mais baratos como se esperaria). Basicamente um paraíso para todos os que gostam de ver lojas de coisas mais ou menos interessantes durante umas horas completamente distintas do real das ruas não vistas do lado de fora.

Tive o meu momento, graças à insistência no meu gosto por anime, pouco depois disso: o que parecia ser umas voltas aleatórias foi, afinal, o caminho para chegar à loja da Jump, num dos recantos da estação slash centro comercial slash formigueiro em que nos encontrávamos. A Jump, como todos devem saber, é a responsável pela publicação de uma parte substancial das mangas mais lidas por esses recantos (embora não necessariamente as melhores). Êxitos como o tristemente louvado Bleach, o cada vez mais decadente Naruto, o engraçado Fairy Tail, o brilhante Bakuman, e o indescritível por palavras e fenomenalmente épico One Piece, vêem todos da massiva corporação de manga. Aqui, na loja, havia de tudo: pins de todas as personagens e mais algumas; todos os volumes de praticamente todas as mangas; canecas, puzzles, posters, camisolas, toalhas e tudo o que se pode esperar duma loja temática. Muito engraçado, para dar uma vista de olhos e, particularmente, porque encontrei a manga do Wanted, o trabalho que com tempo viria maturar o já referido One Piece ~ pena estar em japonês, mas com sorte, lá para o fim deste ano já consigo ler umas páginas ^_^


WTF!


Seriously ... WTF!

High School Festival

Hoje, por meio de contactos nipónicos, fui, como convidado, a um festival festa celebração evento dia-aberto numa escola segundaria japonesa. E - OMG! - as semelhanças com o mundo que se vê em animação são tantas, mas tantas, que é como ter uma quantidade bastante grande de deja vu's em cada esquina. O ambiente festivo, as paredes decoradas com papeis e cartazes com desenhos a caracteres que ainda me são imperceptíveis , as salas temáticas cujo quadro celebrava a festa com giz colorido, a associação de pais a vender doces e a apoiar onde fouce precisos, os alunos atarefados de um lado para o outro ou simplesmente a passearem por um espaço tão familiar e, ao mesmo tempo, tão transformado, os professores em harmonia com a aura que se me mostrava, os uniformes brancos e azuis, todos iguais com um lenço disposto de forma peculiar, saias de pregas e casacos de botões. Os clubes surgem aqui com uma força hercúlea. O clube de ciências fazia colares com vidro derretido e mostrava o crescimento de plantas que tinham plantado; o clube de astronomia tinha a sua exposição sobre os planetas e uma sala com um planetário; o clube de arte mostrava-nos as suas mais recentes criações, muitas delas inspiradas, como não podia deixar de ser, no anime; uma exposição de fotos apontava para a mão do clube de fotografia algures por lá e, como não podia faltar, até ikebana tinha o seu lugar. No pátio da escola, decorado com pinturas gigantes e cartazes cuja temática parecia meio aleatória, os clubes de desporto dominavam: mini-jogos de basquetebol, basebol, futebol e atletismo faziam as delicias de todos os que lá estavam e que se juntavam à atmosfera despreocupada. Nesta escola em particular, em Oosaka, ao longe, por entre as vedações do pátio dos desportos, o castelo desta cidade erguia-se, majestosamente numa visão que funde o antigo e o novo que muito e que muito poucos sítios poderiam oferecer.

Como se toda a surpresa previsível não fosse o bastante, o director recebeu todos os estudantes estrangeiros que "honravam a escola" com a sua presença e depois de uma conversa informal e agradável sobre a escola, os diferentes países em questão, a situação de cada um, lá veio o presente. Desta vez algo não material: levando-nos aos gabinetes interditos do edifício, passando pelo, quiça assustador, parque de estacionamento e ao último andar, apresentou-nos uma sala de reuniões com uma vista belíssima (malditas reflexões fotográficas!) sobre o castelo já referido e, obviamente, parte dos arranha-céus da cidade de Oosaka. Vista essa que pudemos rever... da casa de banho das raparigas ^_^
Pouco antes disso, um professor (de inglês) a falar um inglês extraordinariamente macarrónico e, numa palavra, mau, lá nos convenceu a ir para a sala onde, acho eu, estava o clube de inglês e onde comemos um minúsculo almoço de arroz com atum cozinhado pelo pessoal do club. Para desespero dela e para nosso divertimento, uma japonesa com dezasseis aninho, dos quais seis tiveram ensinamentos de inglês, esteve à nossa mesa, empurrada pelo referido professor, para treinar o inglês, visto ser o seu sonho ir estudar para fora do Japão. Sobre isso, vamos só dizer que os japoneses são mesmo, mesmo, mesmo, muito maus com inglês. Suponho que o katakana não ajude O.o
Outra insólita personagem que conhecemos foi um professor de, pelo que entendi, ciências que estava a fazer uma pesquisa, trabalho, hobby sobre enguias e como é que diferentes países as cuidavam, e cozinhavam. Ninguém entendeu muito bem a coisa, nem mesmo os japoneses que nos acompanhavam, mas suponho que esta coisa de fazer muita pompa e circunstância para algo que, a todos e mais alguns, parece totalmente saído do nada e que, numa outra situação seria facilmente interpretado como uma piada.

Por fim, ao aproximar-se a hora da partida, depois de termos visto tudo o que, oficialmente, a festa tinha para oferecer, eu, libertei-me do meu grupo e do controlo já normal dos japoneses que nos acompanhavam, para ir explorar os andares que, mesmo não estando interditos, não faziam parte da festa. E ainda bem que o fiz pois assisti a uma cena que parecia tirada, ponto por ponto, dos animes que certas meninas que conheço vêem tão avidamente: uma despedida. O clube (?) de Cheerleading, com todas as meninas vestidas a rigor, tendo dado o seu último espectáculo num jogo a que não assisti, despedia-se dos elementos que, em tempos próximos, saíram da escola, do clube e da vida que partilharam nos últimos três anos. Se pensavam que as japonesas eram emocionalmente paradas, tirem isso das vossas cabeças. O discurso foi maioritariamente feito pelas senpais que abandonavam a escola, mas as lágrimas saiam de todas. E não estamos a falar em lágrimas silenciosas. Não! As meninas choravam a bom chorar, com os soluços a ecoar pela sala e a cortar o silêncio que entretanto de tinha gerado. Muitas escondiam a cara, ou talvez, a terrível realidade da despedida, entre as mãos pequenas; e uma, presumivelmente a mais velha, encostou o antebraço à parede e, encostando a cabeça e os olhos vermelhos a ele e ao braço que lhe suportava o corpo, afundou-se na dor pungente das memória abandonadas durante longos minutos.

Tão depressa como o início, o fim chegou num momento inesperado, com certeza muito mais sentido por outros que não nós. O céu estava azul com nuvens brancas a florir e o dia, esse, ainda tinha muito para dar.



Descriminação sexual

Abordo de um comboio a caminho de Oosaka...

Sunday, 11 October 2009

É chinês outra vez

Mais uma vez tive uma revelação, graças a uma muito simpática menina vinda de lá, sobre a já-não-tão misteriosa mas ainda muitíssimo complicada língua chinesa. Estranho como possa ser, há quem diga que a língua é menos complicada que o japonês e uma das razões para isso é que, embora haja uns seis mil e picos kanji que, aqui sim, são usados como letras, todas eles têm sempre a mesma prenuncia, embora esta tenha as complicações já descritas. Isto que dizer que kanji sabido é kanji sabido, ao contrario do japonês em que podemos ter um kanji que oitenta por cento das vezes se lê assim, quinze por cento se lê assado, e os restantes cinco por cento se lê de maneira inadivinhável.
Outra coisa que já se sabia, pelo menos para os que se interessam por este lado do mundo, é que não há katakana ou hiragana, ou seja, toda a coisa se escreve com kanjis. Juntando esta informação e com um bocadinho de pro-actividade é fácil perguntar como raio é que há, por exemplo, flexões de verbos ou mesmo passados ou negativas na construção frásica chinesa. E aqui entra a parte mesmo boa: além de não haver nada dessas complicações - se só há kanji e a sua leitura não muda, como é que se teria flexões de verbos? - é das línguas mais simples, os mais ácidos diriam básica, de sempre a nível de estrutura gramatical. A título de exemplo uma negativa constrói-se pondo um solitário "não" na frase e uma frase para ficar no passado apenas se tem de acompanhar pelo kanji de "terminado". O mesmo padrão é seguido para todas as construções, sendo apenas adicionado algum(s) elementos que fazem a frase mudar o seu significado total, por vezes, com um engenho de louvar.
Não admira que se diga por aqui e por ali que os japoneses pegaram na língua mais difícil do mundo, pela quantidade enorme de letras, e complicaram-na!

PS: e com isto tudo nem sei se é de admirar ou não que crianças chinesas com doze anos consigam ler um jornal!

Um chá com Buda

Este post não tem fotos directamente relacionadas pois, depois de um dia inteiro a máquina fica em bateria mas hoje, depois de um dia de festivais e de xintoísta, o dia termina com chá verde tomado em chávenas de porcelana no chão de um templo budista, todo ele de madeira negra, cuja entrada é adornada com um sino gigante, cujo chão está coberto de tatamis, e em que ouro, que cai em cataratas do tecto, estátuas de plantas que parecem jade e outros pormenores que tendem para a religiosidade simples, adornam o altar principal, com a omnipresente figura de Buda, cujo nome, por isso mesmo, não necessita de ser chamado aquando da pratica religiosa. Foi, se quisermos resumir a situação numa só palavra, zen. Depois, a luz do pôr-do-sol, avermelhando tudo o que toca, os postes e os fios de electricidade, as paredes, os azulejos, a madeira e a água do regato próximo, juntamente com a aranha volumosa suspensa na tranquilidade da sua casa quase aérea, deram-nos as suas despedidas sobre um céu de nuvens negras ensanguentadas pela vitória da noite.


PS: Fotos mais ou menos não relacionadas de casas nas imediações do dito templo.

Kashihara Omatsuri

Infelizmente, tínhamos outros planos e abandonamos o fesutibaru para irmos para o omatsuri que é traduzido da mesma forma mas que, pelo menos aqui, é um acontecimento completamente diferente. Este já tem uma índole mais religiosa a tender para o xintoísmo. O ponto alto da esta via-se de longe: carros festivos pequenos, com quatro criança lá dentro a bater em tambores tradicionais a serem puxados por homens vestidos com algo que funde o trabalhador com o padre. A isto chama-se danjiri, ou seja, um desfile de mini-altares portáteis, coisa que, aparentemente, não é nada incomum por aqui. Cada carro, que pode chegar a custar mais de 100000000円 (sim, eu também achei exagerado, pode ter havido um problema de tradução ali ou aqui XD) vem de uma parte diferente e Kashihara e, depois de uma curta procissão, porque os homens também se cansam, chegam a um templo xintoísta onde são abençoados por um padre xintoísta e , depois são estacionados para dar espaço para o carro que vem a seguir a eles. O preço dos carros é caro, mas o efeito é fantastico, pois são esculpidos à mão em madeira maciça e são ricamente decorados com bandeiras, ouro, papel, lanternas circulares e crianças. O objectivo é mais ou menos óbvio e aqui é tido como uma lógica não muito pensada: dar graças aos deuses - Kami-sama - pela vida que levamos, pedir saúde, etcetc. Não é precisso passarmos a vida toda a ir à missa para ter a felicidade eterna por aqui, é só preciso puxar uns carros uma vez por ano ^^


* * *

É claro que sendo um rapaz novo, robusto e na flor da idade também tive de fazer alguns puxões, mas a parte mesmo interessante foi a conversa mais ou menos religiosa, sobre a minha perspectiva pelo menos, que tive com o padre xintoísta, por meio de uma senhora chamada por ele de propósito para o efeito. Conclusões da conversa são poucos mas engraçados. As enigmáticas placas cheias de kanji que cobriam as paredes do templo não são mais do que os nomes das pessoas que para ele doaram algo; os pássaros que, de forma quase mágica, incessantemente e de forma tudo menos irritante, cantavam na floresta que rodeava o templo estavam lá naturalmente, mas só porque esta é a única floresta da vizinhança; as imensas flores à entrada do templo eram ofertas do presente dia de festa; e as estátuas de cães não tinham outro significado sem ser a protecção do templo. Ai ai ~ magia perdida ;_;


Kashihara Fesutibaru

E o que é isto de festival no Japão? Bem, quando a palavra inglesa festival é mesmo usada é algo mais parecido com as nossas festas. Há barracas de comida de todos os géneros e feitios (incluindo uma barraca de comida brasileira), um palco com entretenimento – desta vez um grupo de cinco meninas japonesas a dançarem uma música pop com um upbeat relativamente alto e uma menina antigamente participante num grupo de pop aparentemente muito famoso por aqui – e uma quantidade de pessoas enorme. Prepara-se o festival para a noite e, aqui e ali, denotam-se as vestes e penteados distintos dos vários grupos que irão participar. Várias equipas de basebol infantil competem num mini torneio, há fila para os gelados, provam-se doces e bebidas à borla. Observam-se os japoneses no seu ambiente natural e é bom. XD

Miai photo?

O título deste post reflecte um conceito que à muito desapareceu na nossa sociedade: o do casamento arranjado que ainda é muito normal no Japão. Há várias razões para isso e algumas delas serão o papel da mulher na sociedade japonesa, o objectivo do casamento e sua significância, a importância das crianças e a mentalidade sexual japonesa para o homem e mulher. Eu quero falar em cada um destes aspectos mas por agora especulo em algo muito mais simples.
É sabido que nestes arranjos, visto o conhecimento físico não ser feito mas sim, preparado, as fotos dos que se aventuram nisso, tomam uma importância preponderante e heis a minha especulação. A menina, mulher, senhora da foto em baixo estaria ou não a preparar e tirar as ditas que, segundo ouvi falar, custam um balúrdio, são tiradas por um fotografo tradicional e marcam ou têm a possibilidade de marcar e mudar a vida dessa pessoa para sempre?

PS: Foto tirada à calada e com muita lata, o fotografo estava do outro lado da menina o.O